Curitiba – A venda da operação brasileira do banco HSBC não deve provocar uma fuga em massa de correntistas para outras instituições financeiras nem deve ser motivo de preocupação entre os clientes do banco no momento. A opinião é compartilhada por analistas ouvidos pela Folha. O Banco Central informou ainda que, com a notícia oficial de que o HSBC será vendido, divulgada ontem, não há nenhuma intranquilidade no mercado, até porque, qualquer operação de venda precisa ser autorizada pelo órgão.
O objetivo do banco, que tem sede em Londres, é encerrar as operações no Brasil e na Turquia e concentrar mais na Ásia, com um enfoque particular na China e no sudeste do continente. Além disso, anunciou que deve demitir 50 mil funcionários em todo o mundo. As mudanças fazem parte de uma tentativa da empresa de reduzir os custos em
US$ 5 bilhões e conseguir um retorno sobre o patrimônio líquido de mais de 10% até 2017. No Brasil, o banco ficaria apenas com o atendimento a grandes empresas.
A saída do HSBC também deve trazer impacto sobre a arrecadação de Imposto sobre Serviço (ISS) da Prefeitura de Curitiba, mas a parcela que isto representará depende de como será a negociação de venda do banco. Hoje, o valor de ISS sobre tarifa bancária e outros serviços, gerado pelo HSBC, corresponde a 8% (em torno de R$ 84 milhões) do total arrecadado anualmente. Segundo informações da Prefeitura, a perda para os cofres do município, no entanto, nunca chegará a este valor, pois a operação bancária, representada pelo banco inglês, não será extinta. O serviço continuará existindo, com a migração dos clientes, pessoas jurídicas e físicas, para outras instituições ou para as agências do banco comprador.

PROTESTO

A notícia das possíveis demissões na unidade brasileira fez com que os bancários fizessem um protesto ontem de manhã no Palácio Avenida, em Curitiba. Clientes não puderam entrar nem mesmo para usar os caixas eletrônicos. Nas faixas, os funcionários pediam que a sede do banco não seja transferida de Curitiba.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Elias Jordão, informou que foram paralisados os centros administrativos da Avenida Kennedy, da Rua João Bettega, do Xaxim e do Hauer. "Queríamos chamar a atenção do banco para que nos chame para informar a versão oficial", disse. Hoje, acontece uma reunião em São Paulo entre a diretoria do banco e os bancários para conversar sobre o assunto. Segundo ele, atualmente o banco tem 9.500 funcionários diretos no Paraná, sendo cerca de 7.500 só em Curitiba. Os centros administrativos da capital do Estado empregam 6 mil trabalhadores.
"O que nos deixou perplexos é o número de 50 mil demissões no mundo que o banco pretende fazer. Estamos acompanhando esse processo com muita apreensão e vamos tentar garantir minimamente os empregos", disse Jordão.

No PAÍS


No Brasil, o banco britânico é hoje o sexto maior em ativos, tem 853 agências focadas na clientela de alta renda e emprega 21.479 funcionários. Tem ainda a financeira Losango, que financia compras na agência de turismo CVC e nas lojas Hering e Colombo. A Losango está à venda há pelo menos quatro anos, mas o negócio nunca saiu porque o banco pede um valor considerado muito elevado.
Os rumores sobre a saída do HSBC aumentaram em março, após o banco ter reportado prejuízo líquido de R$ 549 milhões em 2014; no ano anterior, tinha lucrado R$ 411 milhões no País.
Desde que o espanhol Santander comprou em 2007 o antigo Banco Real, o HSBC ficou pequeno demais para competir no País. Focou o segmento de alta renda, tentou vender a Losango, mas a reestruturação ainda não deu resultado. Os principais interessados na operação brasileira são Bradesco e Itaú, que também disputavam a Losango. (Com agências)

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