Venda do Del Paraná
entra na reta final
O Banestado, controlador do Banco Del Paraná com 74% das ações ordinárias, está na reta final para o processo de venda da instituição financeira paraguaia, podendo concretizar a operação até o final de outubro ou, no mais tardar, em novembro. A informação foi dada ontem pelo diretor de Reestruturação e Privatização do Banestado, Fausto Lacerda.
Já o diretor superintendente do Del Paraná, Anízio Rezende, preferiu ser mais cauteloso e informou apenas que o banco será vendido, mas não quis citar datas ou possíveis interessados na compra. Os dois, o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, e diretores dos dois bancos, inauguraram ontem as novas instalações do Del Paraná em Assunção.
O nome dos prováveis compradores do Del Paraná está sendo mantido em sigilo, para que não haja uma agitação no mercado financeiro paraguaio e para que não haja prejuízo nas negociações. ‘‘Há interesados tanto do lado paraguaio quanto do lado brasileiro’’, afirmou Rezende. A diretoria do Del Paraná deve convocar uma assembléia geral dos acionistas poara as próximas semanas, quando serão apresentadas, oficialmente, as intenções do Banestado e também do governo para a venda do banco paraguaio.
Segundo Fausto Lacerda, a preferência para compra das ações em poder do Banestado terá de ser dada aos atuais acionistas, em sua grande maioria empresários paraguaios. ‘‘Temos de oferecer a preferência para os acionistas’’, disse. Ainda não estão definidas todas as regras para a venda do Del Paraná.
O diretor superintendente do Banco disse que o Del Paraná está ‘‘enxuto’’ e ‘‘reetruturado’’, o que lhe dá a condição de estar pronto para a venda. Rezende disse ainda que a situação econômica e política do Paraguai, que passou recentemente por um processo tumultuado de eleição presidencial, não interfere na decisão de vender o banco. ‘‘Se o banco não estivesse enxuto, seria temerário vendê-lo, mas como estamos bem, não há qualquer problema’’, garantiu.
O projeto de reformulação do Banco Del Paraná passou inclusive por uma mudança na sede administrativa, inaugurada ontem. O novo prédio abriga a administração e é a maior agência entre as 11 instaladas no País. A reforma física do banco Del Paraná também representa uma forma de valorizar o patrimônmio do banco para a venda. ‘‘Quando se vai vender um carro, tem que polir’’, comparou o superintendente do Del Paraná. Ele disse ainda que o banco passou por uma recente auditoria externa feita pelo Ernst & Young, que comprovou os números e resultados favoráveis à instituição financeira.
O balanço do primeiro semestre deste ano aponta um lucro de US$ 3 milhões, o que é superior ao lucro obtido durante todo o ano passado, quando houve um resultado de U$ 2,8 milhões. Do lucro obtido, metade foi reinvestida em forma de aumento de capital. Houve ainda distribuição de dividendos, que totalizou 48% dos lucros, e 2% foram para os funcionários. Hoje, o patrimônio líquido do Del Paraná é de U$ 20 milhões.
Mesmo com os números positivos do balanço, a diretoria do Del Paraná ainda tem o compromisso de pagar dívidas antigas e operações financeiras mal realizadas. O diretor superintendente disse que ainda faltam pagar U$ 8 milhões de um total de U$ 24 milhões.
O Banco Del Paraná tem cinco mil correntistas em todo o país. A inadimplência, que chegou a 44% em 1994, hoje está em 16%. O índice é equivalente a 15% do sistema financeiro paraguaio. A instituição financeira é a sétima maior em lucratividade e faturamento, segundo levantamento feito pelo banco central paraguaio. E é o primeiro banco no Paraguai interligado via satélite.
A jornalista Carmem Murara viajou a Assunção a convite do Banestado

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