Venda do biocombustível nos postos bateu recorde
São Paulo - As vendas de etanol hidratado nos postos brasileiros bateram recorde histórico em maio. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostram que no mês passado foram comercializados 1,43 bilhão de litros do produto, respondendo por 23% da demanda do ciclo Otto. Esse resultado supera os porcentuais registrados em igual mês de 2014 (15,7%) e de 2013 (14,8%).
Em nota, o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, diz que a relação favorável ao preço do hidratado frente à gasolina é o principal fator a impulsionar as vendas do produto. "Os ajustes na tributação do etanol em alguns Estados, a elevação do preço da gasolina e a maior produção do renovável pela indústria estão garantindo bons resultados de venda no mercado nacional."
Em Minas Gerais, onde a alíquota de ICMS sobre o hidratado caiu de 19% para 14% em março, as vendas do biocombustível somaram 142,83 milhões de litros em maio, mais que o dobro do volume observado no mesmo mês do último ano. Esse crescimento do consumo de etanol hidratado também ocorreu em outros importantes Estados produtores, como São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso, de acordo com a Unica.
Já o consumo de gasolina vem registrando queda. Na comparação entre o aferido em maio de 2014 e maio de 2015, a demanda pelo combustível fóssil diminuiu em mais de 12%, conforme a entidade.
A expansão do consumo de etanol hidratado, contudo, vem acompanhada da queda do preço pago ao produtor por causa da pressão da maior oferta (decorrente também da necessidade de caixa por grande parte do setor para honrar compromissos financeiros). Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) e do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool de São Paulo (Consecana-SP), o preço líquido recebido pelas usinas paulistas, que era de R$ 1,30/litro antes do restabelecimento parcial da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e do reajuste do PIS/Cofins em fevereiro, caiu para R$ 1,23/litro em maio. (J.R.G./A.E.)





