Venda do Bamerindus será revelada
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terça-feira, 21 de novembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O processo de venda do banco Bamerindus para o HSBC que, após três anos e meio, permanece cercado de mistérios poderá vir à tona nas próximas semanas. A juíza da 14ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Regina Helena Costa, determinou ontem que o Banco Central apresente toda a documentação que envolveu a operação de venda. A juíza acatou o pedido da ação que está sendo movida pela Associação dos Acionistas Minoritários do Bamerindus.
Segundo o despacho da juíza, o Banco Central tem de encaminhar as informações e a prestação de contas que se referem à venda e à avaliação feita no patrimônio do Bamerindus, num prazo de 15 dias. O Bamerindus sofreu intervenção e liquidação extrajudicial em março de 1997.
Sem fazer qualquer comunicado prévio aos próprios donos do Bamerindus, o Banco Central fechou as portas do banco paranaense e, em seguida, passou a instituição financeira para o banco inglês. Não houve processo de preparação para a venda.
Desde que o HSBC assumiu o controle do Bamerindus, os antigos donos do banco e os acionistas minoritários tentam obter informações mais claras sobre o processo de venda, considerado obscuro por eles. O Banco Central sempre se negou a fornecer a documentação sobre a avaliação do Bamerindus, afirmou, ontem, o ex-proprietário do Bamerindus, José Eduardo Andrade Vieira. Em sua avaliação, a recusa do Banco Central em tornar claro a venda para o HSBC, coloca a transação sob suspeita.
José Eduardo aplaudiu a decisão da juíza de São Paulo. Uma operação de internvenção em um banco deveria ser algo transparente, mas, lamentavelmente, só por ordem judicial que os documentos virão à tona, disse.
O presidente da Associação dos Acionistas Minoritários do Bamerindus, Euclides Ribas, disse que a atitude do Banco Central em esconder a intervenção do Bamerindus evidencia que ele foi mal vendido. Segundo Ribas, os 42,5 mil acionistas minoritários detinham 22,5% do controle acionário do banco, o que equivaleria a R$ 400 milhões, na época, ou R$ 150 milhões hoje. Nossas ações viraram pó de um dia para outro, protestou.


