Inadimplência e estouro da crise explicam a desaceleração na venda de veículos novos a partir de 2013, após nove anos seguidos de alta
Inadimplência e estouro da crise explicam a desaceleração na venda de veículos novos a partir de 2013, após nove anos seguidos de alta | Foto: Marcos Zanutto



Com o aprofundamento da recessão e a piora das condições de emprego e crédito, a venda de veículos novos no Brasil caiu 20,19% em 2016 na comparação com 2015, para 2.050.327 unidades, informou nesta quarta-feira (4) a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Trata-se do menor volume desde 2006 e da quarta retração anual seguida do setor.
Em dezembro, mês que faltava ser apurado para que o resultado final do ano fosse conhecido, as vendas somaram 204.397 unidades, recuo de 10,24% em comparação a dezembro de 2015, mas crescimento de 14,73% ante as vendas registradas em novembro de 2016 - parte do avanço é explicada pelo tradicional aquecimento do consumo no fim do ano e do maior número de dias úteis em dezembro.
No último mês de 2016, o setor de vendas de veículos novos de fato ficou mais movimentado, diz Alexandre Eduardo de Oliveira, gerente de novos de uma concessionária da cidade. No período, segundo relata, consumidores tiveram presença maior nas lojas em busca de informações para a sua próxima aquisição. "Sentimos uma melhora no fluxo de pessoas. Vimos que as pessoas estão mais interessadas e curiosas."
Os números totais de 2016, entretanto, refletem a desaceleração do setor. Apesar de a concessionária ainda não ter fechado o balanço do ano passado, Oliveira estima que as vendas tenham tido retração de 15% a 16% no período. O setor que ganha com tudo isso é o de seminovos, que nesse último ano teve estabilidade, observa o gerente.
"(A queda) Já era prevista. Foi até melhor do que o esperado", ressalta Waldir Rezende, diretor comercial de outra concessionária de Londrina. A realização de promoções e os lançamentos no decorrer do ano, na sua visão, são fatores que contribuíram para que 2016 não fechasse com mais de 20% de retração, como era previsto. A concessionária terminou o ano passado com 10% a 12% de diminuição na venda de veículos novos, e com consumidores em busca de melhor custo-benefício e de equilíbrio entre preço e tecnologia.
André Frasson, gerente comercial de outra concessionária, ressalta que a queda nas vendas anunciada pela Fenabrave reflete o mercado de veículos como um todo, mas a loja em si repetiu os resultados do ano anterior, com aumento na rentabilidade devido a dois fortes lançamentos realizados em 2016. Em 2015, a queda nas comercializações chegou a 23% em relação a 2014, diz Frasson.

Histórico
O mercado de veículos começou a cair em 2013, depois de uma sequência de nove anos seguidos de alta, com o ano de 2012 marcado por um recorde de 3,8 milhões de unidades vendidas. O boom das vendas, no entanto, resultou em um alto nível de inadimplência, o que fez com que o mercado passasse a recuar a partir do ano seguinte.
Em 2015, com o estouro da crise e o aumento do desemprego, a situação se agravou e as vendas caíram 26,5%, o maior tombo em 27 anos. Com o resultado de 2016, o setor acumula retração de quase 50% em quatro anos. (com Agência Estado)

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