Os emplacamentos de automóveis e comerciais leves pularam de 277.581 unidades em setembro de 2012 para 293.961 no mês passado, alta de 5,90%. Porém, o acumulado dos primeiros nove meses deste ano está negativo em 1,07% sobre o mesmo período do ano anterior, conforme balanço divulgado ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A febre do consumo pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor, principalmente em julho e agosto de 2012, ajuda a explicar o resultado, bem como a queda no mercado de motos.
Foram 2.666.809 veículos leves vendidos nos primeiros nove meses do ano passado, frente os 2.638.378 do acumulado deste ano. Ainda, os emplacamentos no mês passado foram 6% menores do que os 312.715 de agosto. Mesmo assim, a Fenabrave mantém a estimativa de crescimento de 1% para 2013, de novo pela expectativa de que as vendas ganhem impulso pelo fim do IPI reduzido em janeiro.
O presidente da entidade, Flávio Meneghetti, lembra que houve protestos em várias cidades do País no início do segundo semestre, o que desaqueceu a economia e fez com que concessionárias fechassem as portas. "Vamos recuperar essa diferença em novembro e dezembro, porque o imposto sobe em 2014", diz.
No entanto, é a redução na comercialização de motos que mais impacta nos números. Meneghetti conta que houve redução no crédito para o segmento. "Hoje é necessário dar uma entrada de 30%, além de custear o emplacamento, o que inviabiliza a compra para quem tem renda menor", justifica. Ele diz que o cenário sem as motos seria outro, com alta no acumulado de 0,86%.
Em Londrina, o gerente comercial Emerson Magro, da Ford Tropical, diz que fatores climáticos atrapalharam, além do fato de o mês ter um dia útil a menos na comparação com agosto. A queda nas vendas foi de 10% sobre setembro de 2012 e de 5% sobre agosto deste ano. "Houve aquele vendaval e as pessoas acabam com outras prioridades, conserto em casa, e acabam adiando a compra", conta. Mesmo assim, ele projeta 12% de crescimento em vendas neste ano sobre 2012. "O pessoal aguarda os lançamentos e teremos o Fusion, a Ranger e o New Fiesta brasileiro, que não tínhamos no ano passado."
O diretor comercial da Metronorte, Waldir de Rezende, afirma que não se deve comparar as vendas de julho e agosto deste ano com o mesmo período do ano passado, que teve vendas muito boas. A redução na concessionária da GM foi de 5% no mês passado, tanto sobre o mesmo mês do ano passado quanto sobre agosto. "Por isso, digo que o resultado de setembro foi dentro da normalidade. Se mantivermos a tocada do ano, esperamos crescer bem."
Os emplacamentos na Norpave, da Volkswagen, foram 9% menores no mês passado do que em agosto e 22% abaixo de setembro de 2012. "A queda era esperada porque tivemos reflexo do IPI no ano passado e por causa das chuvas. Tanto que o movimento melhorou no fim do mês", diz o gerente de vendas Luiz Carlos de Andrade. Ele estima o crescimento para este ano em 4%. "Mas mais em função do primeiro semestre."
Para o diretor comercial da Fiat Marajó, Eduardo Meneghetti, o mês foi de reduções de 1% nas vendas sobre setembro de 2012 e de 3% sobre agosto. Ainda assim, a concessionária acumula alta de 7% no ano, número que ele espera que aumente. "Outubro, novembro e dezembro é sempre bom, tanto que já tive aceleração nos dois primeiros dias deste mês."

Pesados
O presidente da Fenabrave lembrou ainda o bom momento do segmento de veículos pesados. As vendas de caminhões e ônibus somaram 15.918 unidades, que representa queda de 3,45% em relação a agosto, mas alta de 51,63% sobre setembro de 2012.

Imagem ilustrativa da imagem Venda de veículos leves cresce 5,9% em setembro
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