Venda de veículos deve ter queda de 4,5%
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domingo, 28 de dezembro de 2003
Osmani Costa<br>Reportagem Local 
O ano que está terminando não foi nada bom para a venda de veículos automotores em Londrina e no País, refletindo a má performance que se abateu sobre o comércio de uma forma geral em consequência da crise econômica herdada pelo governo federal da administração anterior. Números nacionais, estaduais e regionais repassados por Fernando Menezes Prochet, presidente do Sindicato das Concessionárias de Veículos do Norte do Paraná (Sincovave), demonstram que apenas as vendas de motocicletas e caminhões têm boas chances de fecharem 2003 com crescimento.
O setores de automóveis, vans e comerciais leves, e tratores e máquinas agrícolas vão, pelas contas feitas até o final de novembro, amargar uma acentuada redução no número de unidades vendidas neste ano. O número de automóveis que saíram das montadoras para a garagem de brasileiros caiu de 1.150.568 no ano passado para 1.002.702 nos 11 primeiros meses de 2003. Por melhor que seja o desempenho do setor em dezembro, a expectativa é de fechar o ano com desempenho cerca de 4,5% abaixo do registrado em 2002. Em Londrina, foram emplacados 7.382 automóveis zero no último ano, contra uma previsão de 7.250 neste ano. ''A queda só não foi ainda pior neste segmento porque as taxas de juros cairam bastante no segundo semestre e houve o acordo com o governo federal para a redução do IPI, o que impulsionou as vendas nos últimos meses'', comenta Prochet.
No setor de tratores e máquinas agrícolas, que poderia ter sido impulsionado pela mais recente safra de grãos recorde, o resultado tende a ser ainda mais negativo. Até novembro deste ano foram vendidas 31.638 unidades, contra 42.193 comercializadas no último ano. Estimativa projetada pelo setor, já levando em consideração dezembro, aponta para uma queda de 16% no total de vendas. Entre as vans e veículos comerciais leves a previsão é de um desempenho negativo em torno de 12%, na compração deste ano com 2002.
Resultados positivos devem ser alcançados mesmo somente pelos setores de caminhões e motos. Gerente geral da Baden Automotores que revende caminhões e ônibus da Volkswagen , Prochet informa que o crescimento nas vendas de caminhões neste ano, em relação ao ano passado, deve ser na ordem de 4,5% no País, 8% na região de Londrina, 10% na região metropolitana de Curitiba, e de 14% no restante do Paraná. ''Isto é reflexo direto da sequência de boas safra agropecuárias que tivemos nos últimos anos no Estado; que movimenta não só os produtores diretamente, mas também a agroindústria, os fonrnecedores de insumos, os comerciantes e outros setores indiretamente ligados.''
Segundo ele, foram vendidas 763.083 motocicletas até novembro deste ano em todo o Brasil, contra 769.292 unidades comercializadas em 2002. ''Há aí já praticamente um empate técnico de vendas. Por isto, tudo o que for vendido em dezembro que normalmente é um bom mês para este segmento será de crescimento em relação ao ano passado. Por isto, espera-se com as vendas de motos o melhor desempenho deste ano no setor de veículos automotores'', estima Prochet.
De acordo com o presidente do Sincovave, os tempos já foram bem melhores para os revendedores de veículos, notadamente nas décadas de 1970 e 80. ''Hoje, boa parte da capacidade instalada das montadoras está ociosa, porque falta dinheiro aos compradores. Por outro lado, os produtos estão muito caros por causa da carga tributária, dos altos custos da folha de pagamento, dos encargos sociais e previdenciários, do custo de capital'', afirma Prochet.
De acordo com ele, esta queda no volume de vendas diminuiu a rentabilidade das revendedoras que foram obrigadas a cortar custos em todos os setores para se manter no mercado. Mas nem todas obtiveram êxito. ''Há cerca de dez anos, éramos mais de 70 concessionárias em nossa região; hoje, somos apenas 38. Houve um enxugamento do mercado e uma concentração delas, cada vez trabalhando num território mais extenso e para um maior número de habitantes. As empresas que não conseguiram se adaptar aos novos tempos não sobreviveram; foram obsorvidas, se associaram a outras ou simplesmente deixaram o negócio.''
Prochet, entretanto, está otimista em relação ao desempenho do setor em 2004, com base nos sinais emitidos pelos indicadores econômicos nos últimos meses. ''Há mais sinais positivos que negativos para o próximo ano, quando analisamos os rumos recentes da economia nacional e da conjuntura internacional. A política econômica do governo federal neste ano foi bastante equilibrada e alcançou resultados interessantes, que podem dar base para uma retomada do crescimento no próximo ano'', comenta.
Ele ressalta, porém, que para o aumento das vendas de veículos se concretizar em 2004 será necessária a confirmação de uma boa safra agrícola, além da manutenção da política de juros mais baixos, a manutenção do acordo de diminuição do IPI, e uma ampliação na linhas de créditos para o setor; principalmente para caminhões, tratores e máquinas agrícolas. ''Estamos otimistas para o próximo ano, mas dependemos da confirmação de muitas variáveis. A longo prazo, precisamos também de uma reforma tributária que diminua os impostos; porque em alguns modelos de automóveis eles representam quase a metade do preço'', diz Prochet.


