Josoé de Carvalho‘Garimpando’A enfermeira Patrícia Prestes dedicou algum tempo à procura, em um ‘‘mar de cabines’’, e encontrou um paletó azul-marinho por R$ 18,00: ‘‘O preço é muito bom’’, atestouO grande negócio da China que está rendendo muito dinheiro no setor de confecção é a venda de roupas importadas seminovas. A origem delas nem é a China, que tanto apavora os confeccionistas brasileiros, mas os Estados Unidos e países da Europa. Em Londrina, o empresário Ângelo Simeão, que atua no setor de materiais de construção e cozinha planejada, está investindo pesado em pontos de venda de roupas seminovas. Embora haja roupas de verão, a grande sensação são os artigos de inverno - peças de lã e casacos - com preços incomparáveis no mercado de roupas novas.
Simeão entrou no ramo há cerca de três anos, quando abriu a primeira loja de roupas importadas em Londrina. Era a Casa da Sobra, que mudou de nome e endereço há três meses. Hoje, o empresário tem quatro pontos de venda em Londrina, três em São Paulo, um em Maringá, dois em Curitiba e fornece roupas para mais dois em Curitiba.
O empresário descobriu o filão quando ele e a esposa entraram numa loja nos Estados Unidos e se surpreenderam com os preços das roupas. Ao ficar sabendo que eram seminovas, Simeão achou que a idéia era muito boa para ser trazida a Londrina. E acertou. Distribuídas em quatro pontos no centro da Cidade, as lojas são abastecidas quase diariamente com roupas da Europa e Estados Unidos.
Os produtos chegam em contêineres, de navio, e vão para um depósito, onde são pesados e divididos entre as lojas. A gerente do negócio em Londrina, Raquel de Souza Moraes, afirma que não tem noção da quantia de roupa exposta, mas garante que nos dias mais frios a maior loja - na avenida Tiradentes - vende em torno de 400 a 500 peças diariamente. Sempre à vista.
No ponto da rua Quintino Bocaíuva, o sócio-proprietário de Simeão nessa loja, José Roberto Francis, afirma que vende em média 200 peças/dias. O preço mais baixo nas lojas é R$ 0,50 - short ou camiseta para criança. Os casacos de couro com pele mais caros ficam em torno de R$ 90,00, mas há bons casacos sendo vendidos por menos. As outras duas lojas em Londrina ficam na avenida Celso Garcia Cid, perto do Calçadão, e na rua Sergipe. Em todas elas, o movimento é grande. ‘‘No inverno, o giro é maior. No verão, as peças são mais baratas. O valor de 100 peças de inverno é equivalente a 400 de verão’’, diz.
José Roberto Francis explica que as roupas importadas vêm principalmente da Itália, Alemanha e Estados Unidos. Segundo Francis, nesses países a população não tem o costume de doar as roupas usadas para os mais carentes. Lá, há firmas que colocam coletores nas praças para receber roupas usadas. Esses coletores têm apenas entrada de roupas e não saída. As empresas pagam aluguel para deixar os contêineres nas praças - dinheiro revertido para as instituições de assistência social.
Essas roupas passam por uma seleção, recebem conserto se for preciso são esterilizadas, segundo Francis. Ele afirma que por exemplo que uma das empresas desse ramo atua nesse ramo há mais de 80 anos na Europa e têm cerca de 7 mil coletores espalhados, além de empregar 400 pessoas. A diferença dessas lojas para os conhecidos bazares de roupas usadas brasileiros é que nos pontos de venda de importados as peças estão penduradas em cabide e não são amontoadas.
Outro tradicional ponto de venda de roupas seminovas importadas em Londrina, que costuma atrair muitos consumidores, é a esquina das avenidas Duque de Caxias e Celso Garcia Cid. Ali funciona o bazar da Santa Casa de Londrina, que recebe peças de inverno da Casa Missionária de Schoenstatt, na Alemanha. As grandes promoções - com preços que variam de R$ 0,50 a R$ 15,00 - acontecem geralmente nos primeiros sábados do mês. A procura é tão grande que os promotores do bazar distribuem senhas para organizar os consumidores.

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