Venda de rolamento falsificado chega a 40%
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sábado, 13 de dezembro de 2014
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
Ao menos 20% dos rolamentos industriais vendidos em todo o País são falsificados e, na região de Londrina e Maringá, a média se aproxima de 40%. De acordo com informações dos Associados Distribuidores e Importadores de Rolamentos e Peças Industriais (Adirpi), as peças fora do padrão danificam equipamentos, causam prejuízos e colocam trabalhadores e consumidores em risco.
Por isso, a entidade criou a campanha "Um rolamento falsificado pode quebrar o seu negócio". A Adirpi distribui vídeos e materiais impressos educativos, promove palestras para associados e usuários da indústria sobre os riscos de rolamentos falsificados, além de oferecer uma lista de mais de cem fabricantes e revendas livres de falsificações, todos disponíveis no site www.adirpi.org.br.
O coordenador do Grupo de Combate à Falsificação da Adirpi e representante no País da Stop Fake Bearings (Pare com Rolamentos Falsificados - www.stopfakebearings.com), Sergio Jabur Salomão, afirma que o problema é histórico no Norte do Paraná. "Nessa região, não somente há falsificação de equipamentos, mas também uma capacidade de impressão de embalagens muito parecidas com as originais."
Mesmo selos holográficos de caixas acabam copiados. "Existe uma habilidade especial nessa região, esse é o principal motivo pelo alto índice, e não ocorre somente com rolamentos, mas também com remédios e outros produtos", diz o executivo da Adirpi.
Delegado do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Londrina, Ernandes Cezar Alves afirma que não houve operação recente na região sobre rolamentos. Entretanto, ele cita que várias ações foram tomadas recentemente em Londrina e Maringá para fechar fábricas de falsificação de toners e cartuchos para impressoras, que culminou com a apreensão de mais de 2 toneladas de material do tipo, em Maringá, em setembro. "São crimes que dependem da representação da vítima", diz Alves.
Salomão afirma que as oficinas de marcação (empresas que falsificam, importam ou embalam) injetam no mercado mensalmente 50 toneladas de rolamentos piratas. Boa parte das peças entra no País pelo Porto de Paranaguá como importações, o que também explica o fato de o Norte do Paraná ser o maior falsificador nacional, pela proximidade com o porto. "O trabalho de fiscalização se mostrou penoso, pela morosidade e custos. Quando se consegue fechar um falsificador, ele abre em outro lugar, porque as penas ainda são pequenas", diz.
Além de rolamentos de baixa qualidade importados principalmente da China, há ainda a prática de limpar e revender artigos usados. Assim, um dos motes da campanha é demonstrar a necessidade de descartar de forma apropriada uma peça que já completou a vida útil. "É importante que usuários utilizem um processo de destruição do rolamento sucateado e de sua embalagem, afim de que não seja possível mais reutilizá-lo", observa o diretor da Adirpi, Carlos Fávaro.
Para Salomão, é preciso que o comprador desconfie de preços muito abaixo da média de mercado. "Geralmente é porque não tem a mesma qualidade e resistência, então vai durar menos ou quebrar logo", diz. Ele lembra que é possível que um rolamento defeituoso quebre uma máquina e provoque paradas não programadas na indústria, ou que cause acidentes com um trabalhador ou com um veículo.
Outro problema é o prejuízo à reputação da marca. No caso de defeito, é comum o industrial pedir uma perícia no rolamento ao fabricante, que, após o procedimento, descobre que a peça era falsificada. "Nossa orientação é sempre comprar de revendedor autorizado ou do fabricante da máquina", sugere Salomão.


