Venda de ovos deve crescer 8% este ano
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quarta-feira, 08 de abril de 1998
Cláudia Lopes 
César AugustoDoce saborParreiras forradas de ovos: consumo cresceu, mas grandes redes prepararam-se para a euforiaAs vendas de ovos de chocolate devem crescer entre 8% e 10% neste ano. A comemoração da Páscoa em data próxima ao quinto dia útil do mês, quando os salários são pagos, é a principal razão, na avaliação de comerciantes ouvidos em Londrina, para o aumento do consumo sobre o ano passado. Mesmo assim, não devem faltar ovos em Londrina porque a maioria dos supermercados preparou estoques maiores do que os de 97. Mas algumas marcas e tamanhos já desapareceram das parreiras.
O diretor comercial do Supermercados Viscardi, Ademar Vedoato, acredita que, quem deixar para comprar o produto no sábado terá dificuldade em encontrar a marca e o tamanho desejados. Vai faltar variedade, diz ele, que preparou um estoque 8% maior do que no ano passado.
Os varejistas dizem que os preços dos fornecedores aumentaram cerca de 6% nesta Páscoa. A indústria alega que o custo subiu por causa da alta do cacau - matéria-prima básica na produção de chocolate. Mas o supermercado absorveu este aumento, mantendo os preços dos ovos nos mesmos patamares do ano passado, afirma Vedoato.
Quem também absorveu a alta dos fabricantes para não mexer nos preços foi a Lojas Americanas, segundo o superintendente de marketing, Paulo Humberg. A loja da rede em Londrina vendeu 78% de seu estoque de ovos de Páscoa até a última segunda-feira. A unidade londrinense recebeu neste ano 200 mil ovos - de 200 tipos diferentes. No ano passado, foram comercializados 175 mil ovos. No Brasil, a Americanas preparou um estoque de 16 milhões de ovos, que estão sendo vendidos em suas 110 lojas. Em 97, foram 13 milhões de ovos comercializados em todo o País.
Humberg conta que a rede é responsável por 37% da venda de ovos no País. No balanço geral das lojas, foram comercializados 80% dos 16 milhões de ovos disponíveis. Segundo ele, a maior procura na Americanas tem sido por ovos temáticos como o Máskara, que vem com seis tazos e está sendo vendido com exclusividade pela rede; o Prestígio (Nestlê) e o Milka (Lacta). Todos os lançamentos do mercado estão tendo boa procura.
A Lojas Americanas está repondo à noite alguns modelos, principalmente os lançamentos, que são os mais procurados pelo consumidor. Fazemos isso na medida do possível porque as fábricas já interromperam a produção de ovos. Estamos arrematando o que sobrou nas indústrias, conta Humberg. As vendas vêm aumentando em todas as lojas da rede desde a semana passada. Tivemos um grande movimento no final de semana, ele afirma.
Houve uma transformação no consumo neste ano, segundo Humberg. Ao invés de comprar um ovo grande para toda a família, os consumidores estão preferindo levar ovos menores para cada um, diz.
O Carrefour fez um estoque 50% maior do que em 97 para não correr o risco de ficar sem o produto, a exemplo do que aconteceu no ano passado, quando a uma semana da Páscoa a loja de Londrina já não tinha mais ovos nas prateleiras. Edgar João Marchiori, diretor do Carrefour na Cidade, acredita que venderá todo o seu estoque até sábado: cerca de 90 mil ovos, o equivalente a 60 toneladas de chocolate.
O brasileiro está dando mais valor à Páscoa. Quem nunca comprou ovos, neste ano está presenteando não só parentes como os amigos, diz Marchiori. Segundo ele, os preços dos produtos na loja aumentaram entre 5% e 6% em relação ao ano passado por causa da inflação. Vamos vender mais do que em 97 porque os consumidores receberam seus salários nesta semana, diz.


