São Paulo - A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) encontrou o argumento que usará para cobrar uma mudança imediata da política econômica do governo Lula: a queda no consumo interno de bens de capital. Uma carta assinada pelo presidente da entidade, Newton de Mello, foi encaminhada ontem ao Palácio do Planalto com dois números que, para a Abimaq, demonstram esse recuo.
A queda é diretamente atribuída à gestão macroeconômica, ancorada na política dos juros altos. No quinto parágrafo da carta, que pede uma ''ruptura'' com a atual política econômica, a Abimaq afirma que o setor acaba de registrar a primeira redução no consumo de máquinas para fins industriais e agrícolas.
Segundo o índice de Produção Industrial Média Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apura a construção de máquinas e equipamentos no País, houve entre julho de 2004 e maio de 2005, em comparação com igual período, redução de 6,29% na demanda de bens de capital para fins industriais e de 41,80% para fins agrícolas. ''Até agora, não tínhamos estes números. Agora, nós temos como mostrar que esta política de juros afeta a produção de bens de capital'', afirma Mello.
Para corroborar com as alegações da Abimaq, o consumo de máquinas importadas também registrou queda. A participação do maquinário importado no consumo durante o primeiro semestre de 2004 foi de 44,10% e baixou para 39,10% entre janeiro e junho deste ano.
A carta foi enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aos ministros Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Roberto Rodrigues (Agricultura) e aos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE).
No texto, a Abimaq é dura. Chama o modelo de gestão da economia de ''neoliberal'' e afirma que o Banco Central deve ter o compromisso com o desenvolvimento do País. A Abimaq pede a revisão das metas de inflação (para níveis menos estreitos), o que afrouxaria a política de juros do BC. Pela meta ajustada do Banco Central, o índice deste ano deve ficar em 5,1%. Como conseqência, a Abimaq acredita que a valorização do real frente ao dólar perderia força.
Isso ajudaria, principalmente aos clientes da indústria de máquinas e equipamentos, a ter condição mais favorável para a exportação. ''Todos sabemos que o governo não tem como defender uma cotação para o dólar, não tem reservas para tanto. Mas uma redução dos juros colocaria a taxa de câmbio num patamar muito melhor que o atual'', afirma Mello.
A entidade, que representa um setor que faturou R$ 45,61 bilhões em 2004, acha que o viés monetarista da política econômica do governo Lula pode ser substituída por outra que agregue como parâmetros não apenas as metas de inflação, mas variáveis como ''o crescimento econômico, o emprego e a arrecadação tributária''.

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