Venda de madeira ao exterior cresce 44,4%
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Stella Fontes<br>Agência Estado 
São Paulo As exportações brasileiras de madeira sólida e produtos de madeira como painéis, portas, pastas químicas e móveis cresceram 44,4% no ano passado, para US$ 3,85 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), com base em números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Em 2003, informa a entidade, os embarques desses itens totalizaram US$ 2,66 bilhões.
Se levados em consideração os valores vendidos pela indústria brasileira de celulose e papel (US$ 1,18 bilhão), as exportações do setor florestal sobem para US$ 5,03 bilhões em 2004, o que representa incremento de 7,4% sobre os US$ 4,68 bilhões apurados em 2003.
De acordo com o presidente da Abimci, Odelir Battistella, o melhor desempenho das vendas internacionais da indústria de madeira sólida deve-se principalmente à diversificação de mercados e ao reconhecimento da qualidade do produto brasileiro, em decorrência do Programa Nacional de Qualidade da Madeira (PNQM). ''As vendas estavam muito concentradas em países europeus. No ano passado, uma série de empresas passou a atender o mercado norte-americano, que foi muito bem no período'', explica Battistella. Um dos principais fatores para a elevação das compras de madeira sólida pelos Estados Unidos, acrescenta o presidente da Abimci, foi o melhor desempenho da construção civil naquele país.
Para a Klabin, uma das maiores fornecedoras de matéria-prima para serrarias e laminadoras nacionais, a construção civil norte-americana foi a principal alavanca das vendas de madeira no ano passado. De janeiro a dezembro, a companhia comercializou 3,3 milhões de toneladas do insumo, volume considerado recorde e 39% superior ao vendido em 2003. Segundo o diretor-financeiro e de Relações com Investidores da Klabin, Ronald Seckelmann, o desempenho refletiu o maior volume de embarques das empresas que processam madeira para o mercado norte-americano. Na construção civil, os produtos são utilizados tanto na estrutura quanto no acabamento.
Segundo Battistella, o maior volume de exportações também se deve à entrada de empresas de produtos de madeira sólida no mercado internacional. ''Há um maior número de pequenas e médias empresas exportando seus produtos, o que é bastante positivo'', comenta.
Entretanto, em alguns segmentos, como o de painéis de madeira, verifica-se também um movimento de concentração dos embarques em grandes empresas. Eucatex e Duratex, por exemplo, são duas das grandes companhias do setor que têm avançado no mercado externo . ''Em alguns setores, começa a surgir a concentração, porque há a vantagem dos embarques em volumes maiores, que reduzem custos'', explica.
Além da diversificação dos mercados, a indústria madeireira nacional também tem se esforçado para mudar o mix de produtos vendidos no exterior. Segundo estudo realizado pela STCP Engenharia de Projetos, apresentado durante o 2º Congresso Internacional de Produtos de Madeira Sólida de Reflorestamento, realizado no Paraná em dezembro, cerca de 50% dos embarques realizados pela indústria em 2003 corresponderam a produtos de madeira sólida e a outra metade, a toras. Para este ano, a expectativa era de que essa relação ficasse em 55%-45%. ''Essa substituição das exportações é bastante favorável porque os produtos com maior valor agregado passam a ter mais peso na composição da receita'', explica Battistella.
Segundo o presidente da Abimci, a demanda de clientes internacionais por produtos manufaturados também indica que o programa de qualidade da madeira surtiu efeitos.
''Os clientes já reconhecem a qualidade do produto brasileiro'', afirma.


