Há quem diga que brasileiro não gosta ou não tem costume de ler. Mas há controvérsias. Para empresários do setor, a venda de livros no País ainda nem chegou à maturação, portanto, o momento é de escalada. Pesquisa divulgada pela Pyxis Consumo, ferramenta de dimensionamento de mercado do Ibope Inteligência, estima que o consumo de livros e publicações impressas este ano deve chegar a R$ 9,3 bilhões, uma média de R$ 54 por pessoa. Valor pequeno, especialmente por incluir jornais e revistas.
O estudo do Ibope aponta a classe B como maior consumidora, 50% do total, seguida pela classe C (25,9%). A região Sudeste concentra 53,5% do potencial de consumo, contra apenas 16% da região Sul, onde os moradores devem gastar R$ 1,49 bilhão este ano. Em contrapartida, a média per capita é maior que a nacional, de R$ 60,86. A pesquisa considera apenas as vendas em lojas físicas.
No Paraná, a classe B também lidera o potencial de consumo (55%). Por aqui, o gasto anual deve ser de R$ 524,83 milhões com esses produtos, o segundo da região, atrás do Rio Grande do Sul. A diretora de geonegócios do Ibope Inteligência, Márcia Sola, diz que a previsão de gastos com publicações este ano não representa aumento em relação a 2013. "Essa previsão tem sido confirmada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou, de janeiro a julho deste ano, que o peso de livros no consumo domiciliar caiu 1,5% se comparado com o mesmo período de 2013", destaca.
Márcia diz que a classe B, segunda mais numerosa do País, é historicamente a maior consumidora de livros e publicações, seguida pela classe C. A diretora afirma que essas famílias priorizam a compra de produtos mais qualificados. "Comparando o consumo de 51 grupos de produtos, o gasto com livros e com educação está entre os oito mais consumidos pela classe B; na classe C, é possível perceber que a prioridade, em geral, está na compra de produtos de primeira necessidade e os livros passam a ocupar a posição 45."

Expansão

Para Marcos Pedri, diretor comercial do grupo Livrarias Curitiba, justamente a classe C deve ser a principal responsável pelo crescimento do setor, que pode chegar a 30% nos próximos três anos. Além das 22 lojas existentes, o grupo inaugura mais duas até o final de 2014. "Estamos investindo R$ 6,3 milhões este ano", revela Pedri.
Segundo ele, os livros deixaram de ser produtos elitizados, tanto pelo formato, quanto pelo preço, que tem caído nos últimos dez anos, custando hoje entre R$ 25 e R$ 27, em média. "Anos atrás já custava isso. Se considerar que teve correção monetária, custa hoje a metade que custava cinco anos atrás", pondera.
Os maiores consumidores da rede têm entre 20 e 30 anos e estudam. Segundo Pedri, as vendas são equilibradas entre livros técnicos e de lazer, com grande participação das crianças e adolescentes. "Desde que os jovens começaram a ler Harry Potter, o público infanto-juvenil começou a fazer parte da nossa clientela; começou aí essa ideia de confluência com game, cinema, séries de TV", justifica.
A previsão da Livrarias Curitiba é de vender o recorde de 5,2 milhões de livros esse ano. Além da abertura de novas lojas, o vale-cultura é apontado pelo diretor comercial como um projeto interessante, que deve agregar consumidores da classe C. O projeto governamental prevê que as empresas adeptas forneçam R$ 50 mensais ao trabalhador para gastos com cultura.

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