Venda de Furnas começa em 2001, prevê ministro
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domingo, 11 de junho de 2000
Agência Estado De Brasília 
O processo de privatização pulverizada das ações da empresa Furnas Centrais Elétricas deverá durar um ano e meio e só terá início no primeiro semestre de 2001, previu ontem o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho.
Ele anunciou que a transmissão de energia de Furnas também será privatizada, junto com os ativos referentes à geração de energia. O modelo anterior de privatização previa que a parte de transmissão permaneceria sob controle da União, mesmo após a venda da empresa, responsável por cerca de 40% do fornecimento de energia do País.
O ministro tentou esclarecer as dúvidas que surgiram após o anúncio do novo modelo de privatização do setor elétrico, recebido com críticas pelos investidores estrangeiros. Tourinho disse que o governo federal não pretende ficar com ações da empresa ao final do processo de privatização e muito menos manter uma golden share (ação de classe especial com direito a veto no conselho de administração), que garante poderes de controlador à União depois da conclusão da venda. Esse era um dos principais temores dos investidores.
Furnas está sendo privatizada, ela não vai ser uma empresa pública estatal, garantiu o ministro. Segundo ele, caso o governo decida ficar com alguma golden share será para pontos específicos e estratégicos de interesse da União, mas ainda não há definição sobre esta questão. Não pode ser aquela golden share que dê poderes absolutos à União, que represente um medo ao mercado de que seja um controle efetivo do governo, afirmou.
Tourinho disse que o investidor fugiria da privatização se o modelo garantisse poderes absolutos à União. Na quinta-feira o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, chegou a anunciar que o governo poderia manter uma participação acionária em Furnas de 8% a 10% e que por meio de uma golden share manteria o controle estratégico da empresa.
O ministro Tourinho informou também que o processo de venda pulverizada das ações de Furnas (geração e transmissão) será feito em etapas, provavelmente em três lotes, até o governo conseguir vender todas as ações. Por isso, ele estimou um prazo de um ano e meio para a conclusão do processo de privatização.
Para atender à lei do setor elétrico, o governo terá de fazer antes a cisão da parte de geração e transmissão. Possivelmente será criada uma nova holding para abrigar a empresa de geração e de transmissão. A União detém hoje aproximadamente 57% das ações de Furnas. Outros 11% pertecem ao BNDESPar.
Até o processo de venda estar concluído, o governo quer uma gestão profissionalizada na empresa para dar transparência aos investidores. Tem que se ter uma administração competente, fiscalizada e voltada para os resultados dos acionistas, que não é mais o governo, afirmou Tourinho.
Para o ministro, a venda em etapas e a gestão profissionalizada farão com que os ativos da empresa sejam valorizados ao longo do processo de privatização.


