Brasília - As vendas de fertilizantes de janeiro a maio deste ano indicam que a área plantada na safra 2004/05 deverá será maior do que a do período anterior. A avaliação é de Wilson Vaz de Araújo, secretário executivo da Câmara Setorial de Insumos Agrícolas, instalada ontem em Brasília. Segundo ele, nos cinco primeiros meses do ano foram vendidos 6,06 milhões de toneladas de fertilizantes, em comparação com 5,9 milhões de toneladas em igual período de 2003.
A comercialização de fertilizantes vem crescendo nos últimos anos. Em 2001, por exemplo, haviam sido vendidos 4,03 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses. A comercialização de defensivos agrícolas saltou de US$ 1,951 bilhão, em 2002, para US$ 3,136 bilhões no ano passado.
Vaz de Araújo disse que o aumento é resultado do avanço do plantio direto e do maior uso de herbicida nas lavouras. Neste ano, de acordo com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, a indústria de defensivos vai faturar cerca de US$ 3,5 bilhões.
No final da reunião, o presidente da Câmara, Cristiano Valter Simões, defendeu a redução dos tributos que incidem sobre insumos agrícolas. Um estudo sobre o assunto será elaborado pelos integrantes da câmara para ser entregue ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Segundo Wedekin, a tributação tambem preocupa o governo devido ao grande peso dos insumos agrícolas nos custos de produção.
Durante sua apresentação na câmara setorial, Vaz de Araújo lembrou que as estimativas mais conservadoras do governo - que deverão ser revistas para cima - indicavam que só a produção de soja no Brasil poderia chegar a 80,5 milhões de toneladas, ante a produção atual de 49,7 milhões de toneladas.
A ferrugem asiática e o clima adverso foram os fatores responsáveis pela revisão para baixo na estimativa de produção agrícola deste ano. A projeção atual da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de colheita de 119,4 milhões de toneladas de grãos, em comparação com a previsão inicial de 130 milhões de toneladas.
Valter Simões também pediu ao Ministério da Agricultura agilidade no registro de fungicidas e defensivos agrícolas. Ele citou a necessidade de novas autorizações para fungicidas que possam ser usados no controle da ferrugem asiática, que tem atacado as lavouras de soja nas últimas duas safras. Estimativas da Embrapa indicam que só com controle químico da ferrugem, os produtores gastaram US$ 2 bilhões nesta safra.

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