Venda de fertilizantes cai 6,6%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
Fundamental para a evolução de produtividade das lavouras nas últimas décadas, os fertilizantes também sofreram retração de vendas no ano de 2015. De acordo com o levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), entre janeiro e novembro foram comercializados 28,2 milhões de toneladas do produto no País, uma queda de 6,6% referente ao mesmo período do ano passado, quando atingiu a marca de 30,2 milhões de toneladas.
Outro ponto importante e que mostra como a economia arrefecida influenciou diretamente neste setor é que desde 2009 o volume de fertilizantes vendidos em território nacional estava em plena ascensão até a queda significativa deste ano. Quando analisado apenas o mês de novembro, outro recorde ruim: foram entregues ao consumidor 2,5 milhões de toneladas, pior número de uma média de 2,75 milhões de toneladas dos últimos cinco anos.
Num relatório publicado esta semana pela Scot Consultoria, elaborado pelo zootecnista Alex Lopes, fica nítido que os números retraídos dos insumos estão diretamente ligados ao menor investimento dos produtores nas lavouras. De acordo com o consultor, a alta do dólar, fuga dos investimentos do País, e a elevação substancial da taxa básica de juros encareceram o crédito agrícola e refletiram neste mercado. A crise no setor sucroenergético provocada por ações de contenção dos preços da gasolina para segurar a inflação também prejudicou a compra de adubo nos primeiros meses de 2015.
O gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, projeta que o venda de fertilizantes deve fechar o ano com retração de 7% a 8%. Ele elenca algumas variáveis boa parte delas ligadas ao cenário econômico que contribuíram para a queda de movimentação do segmento. "O primeiro delas é a taxa de juros elevada e a dificuldade de acesso ao crédito rural. Outras inseguranças, como a taxa de câmbio favorável ao dólar, inflação e as incertezas políticas também acabaram influenciando", relata Turra.
O levantamento da Scot também aponta que o pico dos preços dos fertilizantes aconteceu em outubro, mas não influenciou diretamente nas compras para a safra 2015/16 que está plantada e maioria dos produtores já havia fechado negócio anteriormente. Como as indústrias estão com estoques relativamente confortáveis, o relatório aponta que mesmo que o dólar continue volátil, isso não deve mexer com os preços dos fertilizantes no próximo ano. "O produtor vinha capitalizado e analisa os cenários econômicos antes de aplicar no negócio. Com a crise, ele segurou o investimento neste tipo de produto. Nesta safra plantada ele deve continuar com uma remuneração satisfatória, a grande questão é como ele vai se comportar a partir da safra 2016/17", analisa Turra.
No que diz respeito à queda de produtividade devido à diminuição do uso de fertilizantes, as opiniões dos especialistas são diferentes. O zootecnista Alex Lopes, em seu levantamento, acredita que pode haver diminuição de produtividade em áreas de soja e milho. Opinião oposta do gerente técnico da Ocepar. "Não imagino um impacto grande em produtividade, pelo menos no Paraná. Hoje temos um clima favorável à produção, inclusive, com chuvas que estão até excessivas", complementa.


