Venda de energia da Copel cresce 1,3% no semestre
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quarta-feira, 29 de julho de 2015
Andréa Bertoldi <br>Reportagem Local 
A venda de energia para o mercado cativo da Copel Distribuição totalizou 12.223 GWh entre janeiro e junho de 2015 no Paraná, o que representou um aumento de 1,3% em comparação ao mesmo período de 2014. Apesar do resultado positivo no período, a classe de consumidores residenciais fechou o semestre em queda.
O grupo residencial consumiu 3.583 GWh entre janeiro e junho de 2015, registrando retração de 2,4% em relação ao primeiro semestre de 2014. De acordo com informações da Copel, este resultado é reflexo da elevada base de comparação do ano passado em função das altas temperaturas registradas no início daquele ano e também da redução do consumo médio no período. Ao final do primeiro semestre esta classe era equivalente a 29,3% do mercado cativo, totalizando 3.478.127 consumidores residenciais.
O professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Magno Bittencourt, disse que a queda no consumo de energia entre os consumidores residenciais pode ser explicada porque as famílias sofreram muito com o aumento da tarifa de energia, associada a outros fatores como a alta da inflação, dos combustíveis, dos tributos e do desemprego. Em março, entrou em vigor um aumento médio de 36,8% da energia no Paraná e, em junho, outro de 15,32%, em média. "Com o aumento do valor das bandeiras tarifárias, as pessoas também passaram a consumir menos energia", reforçou o economista.
Por outro lado, apesar da crise, a classe industrial apresentou aumento de 3,9% no consumo de energia até junho de 2015, totalizando 3.418 Gwh. A Copel esclareceu que houve uma migração de consumidores industriais do mercado livre para o mercado cativo da estatal, o que justifica o aumento do consumo de energia. No período, o número de consumidores livres teve queda de 3,8%, enquanto o número de clientes no mercado cativo cresceu 2,9%. O mercado livre é quando a empresa compra energia direto do gerador. Ao final do primeiro semestre, a classe industrial representava 28,0% do mercado cativo e eram atendidos 90.963 consumidores industriais.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que, em alguns meses do ano, os preços no mercado livre estavam mais altos que os da Copel, o que pode ter causado a migração de algumas indústrias para o mercado cativo.
De acordo com um estudo realizado pela Fiep, a energia teve um aumento de 140% para o setor entre junho de 2014 e julho de 2015. Em junho do ano passado, a energia representava 1,40% do total de custos e despesas da indústria e hoje atinge 3,35%. O setor mais afetado é o de madeira, com a energia representando 10,61% do total de custos, seguido de minerais não metálicos (cimento, cerâmica) com custo de 9,85%.
A classe comercial, por sua vez, consumiu 2.851 GWh entre janeiro e junho de 2015, o que representa um crescimento de 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior e reflete o aumento de 6,9% no número de clientes, parcialmente compensado pelo menor consumo médio decorrente do registro de temperaturas mais amenas no início de 2015. No final de junho essa classe representava 23,3% do mercado cativo e eram atendidos 372.543 consumidores.
A classe rural consumiu 1.203 GWh e cresceu 1,4% no primeiro semestre, reflexo da manutenção do bom desempenho do agronegócio paranaense. Ao final de junho esta classe representava 9,8% do mercado cativo e eram atendidos 371.632 consumidores rurais.
As outras classes (poderes públicos, iluminação pública, serviços públicos e consumo próprio) apresentaram uma ligeira queda em comparação com o mesmo período de 2014, totalizando 1.168 GWh. Em conjunto, essas classes representavam 9,6% do mercado cativo da Copel, totalizando 56.935 consumidores no final do primeiro semestre.
Já a energia despachada pela Usina Termelétrica de Araucária totalizou 1.827 GWh entre janeiro e junho de 2015 ou 19,5% a mais que no mesmo período de 2014, em função do uso intenso das termelétricas no País. Toda a energia gerada pela usina é comercializada no mercado de curto prazo. Hoje, a Copel possui 60% deste empreendimento e a Petrobras os outros 40%.


