Venda de embalagem indica aquecimento. E inflação
Venda de embalagem indica
aquecimento. E inflação
Arquivo FolhaHaberfeld: pressão nos custosAs encomendas de embalagens voltaram a crescer na segunda semana de agosto, segundo informações do sindicato do setor. O fato confirma a retomada do crescimento econômico neste segundo semestre, mas também sinaliza aumentos de preços.
Depois de uma queda de 2% no primeiro semestre, o setor de embalagens projeta para até o final do ano um aumento de vendas entre 3% e 4%, patamar sinalizado pelo desempenho de agosto, o que permitiria que o setor terminasse o ano no mesmo patamar de 1998.
As encomendas de indústrias do Nordeste foram as que mais cresceram em agosto, com 7% em comparação com o mesmo mês de 1998. Essa região, no entanto, responde por 7,4% das vendas totais do setor, contra 75% do Sudeste, embora estejam em expansão e deva chegar a 10% das vendas em 2000.
É um sinal positivo para a economia, mas traz um alerta de pressão inflacionária, ponderou o presidente do Sindicato das Embalagens, Sérgio Haberfeld, prevendo reajustes de pelo menos 12% no início do ano 2000, para cobrir defasagens que teriam sido provocadas pelos aumentos dos insumos importados. O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho, citou, no final da semana passada, pouco antes de deixar a pasta, conversas com lideranças do setor industrial, sobretudo da área de embalagens, como um indicativo positivo da economia. Ele não mencionou, no entanto, essa demanda por reajustes, que pode promover uma pressão inflacionária no início do próximo ano.
Outro indicador positivo, de acordo com Haberfeld, é de que crescem encomendas de embalagens impressas em outros idiomas, o que é um sinal de aumento de exportações. Segundo o empresário, os setores alimentícios e de higiene e limpeza são os responsáveis por esses novos pedidos.
Tradicionalmente no verão, que começa no final de dezembro, a venda de embalagens é maior. Isso porque os consumidores compram mais produtos de limpeza e de higiene, além de mais refrigerantes, sorvetes e cigarros.
De acordo com Haberfeld, o verão será o momento para o reajuste dos preços das embalagens. De janeiro até agora, o papelão cartonado aumentou 62%, sendo que o último reajuste, de 12%, ocorreu ontem. O preço dos plásticos subiu 57% desde janeiro. O alumínio, segundo o empresário, subiu em valores semelhantes, além da alta do custo da energia elétrica. Há uma defasagem mínima de 10% a 12%, afirmou Haberfeld, presidente da Dixie-Toga, que tem fábricas em Londrina.





