Arquivo FolhaÀ base do prazoVenda de eletroeletrônicos, que depende diretamente do crédito, tem sido atropelada pelos juros altos
As vendas de produtos eletroeletrônicos deverão cair 20% em 98. Até julho, a Eletros - entidade que reúne os fabricantes do setor - previa uma queda de 15% nas vendas deste ano, mas o quadro piorou em razão do aumento dos juros. O governo autorizou a elevação da taxa de juro e isso teve reflexo imediato nos financiamentos oferecidos aos clientes pelas principais redes do comércio.
O setor enfrenta problemas maiores e mais antigos. As vendas já não vinham bem desde ao ano passado, quando também foram atropeladas por um aumento brutal nos juros depois que as principais Bolsas de Valores do mundo registraram quedas recordes. Segundo a agência de análise de balanços Austin Asis, as vendas de nove empresas do setor, que têm capital aberto e negociam ações em Bolsa, caíram de US$ 2 bilhões no primeiro semestre de 97 para US$ 1,4 bilhão até junho deste ano.
Em 97, um levantamento feito pelo Datafolha, entre as 300 maiores empresas do País que negociam ações em Bolsa, indicou que os fabricantes de eletroeletrônicos amargaram a pior rentabilidade. O índice (calculado a partir da divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido) foi de 11,95% - isso significa uma queda de 11,15 pontos percentuais em relação a 96, quando a rentabilidade do setor foi de 23,10%.
Desde 94, o setor vinha mantendo um crescimento médio de 30% ao ano, mas em 97 a situação se inverteu, afirma o diretor-superintendente da Sharp, Luís Roberto Pogetti. As vendas foram 25% menores do que em 96. A redução, segundo o presidente da Eletros, Roberto Macedo, aconteceu num momento em que todos esperavam um aumento nas vendas em torno de 20%.
Naquele período, de acordo com o presidente da Eletros, os preços dos eletrodomésticos caíram pela metade e os prazos de pagamento passaram de 5 para 20 meses. O resultado foi uma corrida às lojas de eletrodomésticos, que resultou em vendas 68,4% maiores em 95 e 96 do que em 94, diz a Eletros. ‘‘Mais da metade das vendas de eletrodomésticos é feita a prazo. Quando o consumidor está inadimplente e os juros estão altos, as vendas caem’’, diz Alcides Lourenci, diretor financeiro da Arno.

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