Venda de créditos do Banestado é questionada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de abril de 2002
Vânia CasadoEquipe da Folha 
Curitiba O senador Roberto Requião (PMDB) está questionando a venda de créditos de difícil liquidação do antigo Banestado, pelo atual controlador, o Banco Itaú. O senador suspeita que o Banco Itaú e a direção do Banestado na época sejam responsáveis por uma operação financeira que acabou favorecendo a empresa de consultoria Goldman Sacks, uma das participantes da avaliação do processo de venda do banco. O Itaú arrematou o Banestado em leilão no dia 17 de outubro de 2000.
Para atuar no Paraná, na cobrança aos empresários paranaenses que devem ao antigo Banestado, a Goldman Sacks teria criado a empresa de cobrança Rio Paraná Seguros, que inclusive contratou antigos funcionários do Banestado. Apesar de a venda de créditos por parte de um banco ou empresa constituir uma operação normal no mercado financeiro, o senador contesta o percentual muito baixo praticado na negociação.
Conforme rumores no mercado financeiro, o banco Itaú teria vendido R$ 557 milhões em créditos, por apenas R$ 12 milhões, volume que corresponde a 2,2% do valor de face. Agora, a Rio Paraná estaria acionando a Justiça para cobrança desses créditos. O ex-presidente do Banestado Reinhold Stephanes disse que o normal no mercado financeiro é a venda de créditos em percentuais que alteram entre 30% a 40% do valor de face dos papéis e não em percentuais irrisórios.
Para investigar as suspeitas de favorecimento, o senador prometeu encaminhar ao Ministério Público documentos referentes ao caso. Ele disse ter em mãos duas cartas enviadas pela Goldman Sacks à direção do Banco Itaú. Uma delas, de 19 de setembro de 2000, menciona inclusive discussões anteriores e propõe a compra dos créditos, relatou o senador. Outra correpondência, do dia 20 de outubro de 2000 - três dias após a privatização. As cartas, de acordo com Requião, estavam endereçadas a João Costa, diretor do Banco Itaú.
Isso foi uma manobra imoral e perniciosa, afirmou o senador. Se o Banestado podia vender os créditos por 2,24% do valor de face, por que não ofereceu por esse valor aos devedores?, perguntou.
A direção do Banco Itaú não negou as afirmações do senador Roberto Requião. O diretor de Relações Institucionais, Aldous Galletti, limitou-se a dizer que todas as operações que envolvem a compra do Banestado estão absolutamente dentro da legalidade. De acordo com Galletti, a venda e compra de créditos constituem operações normais no mercado financeiro.


