Venda de computadores cresce 50% em dois anos
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quarta-feira, 27 de junho de 2007
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
A queda do dólar, os incentivos fiscais do governo aliados à grande oferta de produtos foram os grandes responsáveis pelo crescimento recorde das vendas de computadores no País. Somente no primeiro trimestre deste ano foram comercializados cerca de 2 milhões de unidades, 21% maior que o mesmo período do ano passado. Em 2006, por sua vez, foram vendidos 8,3 milhões de PCs, o dobro de 2004, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Eletroeletrônicos (Abinee). A expectativa da entidade é que em 2007 sejam comercializados 10 milhões de computadores. Os preços de aparelhos domésticos ''básicos'' variam de R$ 900 a R$ 2,5 mil.
''Será o primeiro ano em que a venda do equipamento deverá ultrapassar a de televisores'', disse o consultor da área de informática da Abinee, Ivair Rodrigues. Conforme ele, a televisão já é um produto ''saturado'' e o computador ainda é uma novidade: no Brasil aproximadamente 95% dos domicílios têm pelo menos um televisor, enquanto apenas 19% têm um PC. ''O preço do computador também caiu bastante e isso deve favorecer a compra do equipamento por pessoas de classes mais baixas'', comentou Rodrigues. As vendas deverão ser boas tanto para desktops quanto para notebooks. Em 2006, os notebooks representaram 8,2% dos PCs vendidos, já em 2007 esse percentual subirá para 15%, conforme dados da Abinee.
Para Rodrigues, quatro fatores contribuíram para a queda do preço das máquinas e, consequentemente, o aumento das vendas. Em primeiro lugar está a queda do dólar. ''A medida atingiu diretamente o setor de informática. 85% dos componentes de um computador são importados'', ressaltou ele. Em seguida está a Lei do Bem, em vigor desde julho de 2006, a qual isenta da venda de computadores o Pis e o Confins. ''Os dois impostos representam cerca de 9,25% do valor de um produto'', comentou Rodrigues.
A guerra entre os sistemas operacionais - Microsoft e software livre - também tiveram impacto no preço dos aparelhos. Porém, um dos fatores mais importantes na opinião de Rodrigues foi a queda da venda de produtos ilegais. ''As ações do governo de combate ao contrabando foi muito importante, com isso houve a proliferação do mercado oficial e o crescimento de novas indústrias: conseguimos maior concorrência e o preço caiu'', frisou o consultor. Atualmente existem no Brasil cerca de 3 mil empresas que produzem ou montam computadores e acessórios.
Varejo - Quem está ganhando com isso é o varejo. Um dos carros-chefe de grandes lojas e redes de supermercados é o computador. ''Esse é um dos produtos com maior participação nas vendas, cerca de 15%'', destacou Junior César Pimenta, gerente de uma unidade das Lojas Colombo. Na opinião dele, o que tem favorecido esse índice é a queda do preço aliado a planos de financiamento que atendem várias camadas sociais. ''Com R$ 900, um cliente compra um computador básico, com gravador de CD, monitor de 17'', e pode parcelar em até 25 vezes'', salientou Pimenta. De acordo com ele, os clientes encontram na loja os computadores mais básicos de R$ 900 até os mais equipados com 1 GB de memória, tela LCD e 160 HD, já com placa para TV por R$ 2,5 mil.
Segundo o gerente de uma unidade da rede Magazine Luiza, Marcos Enéias Magalhães, as vendas de computadores cresceram cerca de 40% nos últimos anos e hoje está entre as linhas que mais vendem. ''Representa perto de 20% das vendas da loja'', comentou ele. Magalhães também frisou que os resultados estão relacionados à queda do preço e às linhas de financiamento. ''Mas as vendas cresceram mesmo com a criação do programa do governo ''Computador para Todos'', em dezembro de 2005, que começou pelo Magazine Luiza'', disse Magalhães. Na loja também é possível encontrar aparelhos básicos por menos de R$ 1 mil. Um mais completo custa em média R$ 1,6 mil.


