São Paulo - O mercado automobilístico voltou a reagir na primeira quinzena do mês, com aumento de 6,15% nas vendas de veículos em comparação a igual período de abril. Foram licenciados 56.411 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, número 11,25% superior ao de maio do ano passado. Só o segmento de automóveis e comerciais leves, responsável por 90% das vendas, apresentou crescimento de 6,89% ante os primeiros 15 dias de abril.
No mês passado, as vendas de veículos recuaram 18,5% em relação a março, para 115.458 unidades. As oscilações que vêm ocorrendo são típicas da sazonalidade do setor e da variação dos dias úteis, pois o tamanho do mercado brasileiro está definido, com melhora próxima a 5% no total do ano, disse o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia.
Pelas projeções de Maia, devem ser vendidos neste ano cerca de 1,5 milhão de veículos. ''O mercado está estagnado e não tem coelho na cartola que possa ser tirado para mudar isso.''
O presidente da Citroen do Brasil, Sérgio Habib, também acha que o setor automobilístico não têm alternativas para um salto maior do que o previsto para 2004, de crescimento máximo de 6% nos negócios. Mesmo que os juros sejam reduzidos, disse ele, a reação não será significativa. ''Só o financiamento de longo prazo, em torno de quatro anos, poderia mudar o mercado mas, para isso, o consumidor precisa ter segurança em relação à economia.''
Até um programa que é defendido por alguns segmentos do setor, o da renovação da frota, não teria sucesso, na opinião de Habib. ''Nenhum governo vai querer adotar o programa pois seria um suicídio político'', afirmou ele, ao ressaltar que cerca de 5 milhões de veículos que circulam pelo País foram fabricados antes de 1980 e custam no máximo R$ 2,5 mil. ''Quem fizer isso vai deixar 5 milhões de brasileiros a pé, pois a maioria não tem condições de trocar por um mais novo.''
Segundo a Fenabrave, as vendas de carros populares na primeira metade do mês aumentaram 5,53% - para 24.894 unidades - e as de modelos mais caros apresentam até agora desempenho 15% melhor, com 19.778 veículos. Na quinzena, a Fiat lidera o mercado de automóveis e comercias leves, com 24,6% de participação, seguida pela General Motors, com 23,4% e pela Volkswagen, com 22,4%.
Mesmo com o mercado ainda cambaleando, as montadoras continuam promovendo reajustes de preços para repasse de custos, principalmente com matéria-prima.
Ontem foi a vez da Honda anunciar aumento de 1,18% a 3% para o Civic e O Fit, produzidos em Sumaré. O Civic LXMT passou a custar R$ 47.915 e o Fit LX, R$ 38.160, nas versões mais baratas. A montadora informou que não mudava a tabela desde março. No mês passado, a maioria das montadoras reajustou preços em 2%, em média.

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