Venda de carros importados deve cair até 70% em Londrina
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
O aumento em 30% no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros importados pelo Brasil de países de fora do Mercosul deixou o mercado do segmento temeroso e até com uma certa revolta em Londrina. As concessionárias contatadas pela FOLHA estimam queda, entre 30% e 70%, nas vendas, dependendo da marca, de forma imediata. A medida, anunciada na quinta-feira pelo governo federal, irá beneficiar as montadoras de veículos que possuem fábricas no Brasil e/ou Argentina e que são líderes do mercado nacional, com 70% das vendas.
Eduardo Tauil, gerente comercial da Divesa, concessionária Mercedes Benz, Jeep, Chrysler e Dodge, comenta que 2011 estava sendo um ano muito bom e que agora certamente as vendas vão ser interrompidas. Ele calcula que a alta no preços já deva acontecer a partir da próxima semana. ''Estávamos vendendo na média de 25 a 30 carros por mês. Foi uma decisão direcionada para beneficiar a indústria nacional. Nossos carros devem ter uma acréscimo de 10% a 15% nos valores'', estima Tauil. ''Nosso modelo mais vendido, por exemplo, deve saltar de R$ 116,9 mil para R$ 128 mil. Agora, vamos avaliar o que faremos com o nosso estoque'', completa.
Já Lisie Campassi, gerente da MP8, concessionária das marca indiana Mahindra e das sul-coreanas Ssangyong e Chana, calcula uma queda nas vendas em torno de 40%. ''É algo inevitável e irá atingir todo o mercado dos importados. Como trabalhamos com marcas novas, acredito que nossos carros terão reajustes, mas não chegarão na alíquota máxima. Neste final de semana faremos uma reunião para discutir as mudanças, que não devem demorar muito para acontecer'', ressalta a gerente.
Para Cassiano Ricardo Salviano Reis, gerente comercial da Naban Veículos, concessionária Lifan, isto está acontecendo porque as marcas nacionais estão perdendo mercado devido ao custo/benefício de alguns importados. ''Oferecemos mais opcionais com preços competitivos. As nacionais teriam que se adequar diminuindo seus preços, o que não vai mais acontecer. Quem acaba perdendo com isso é o consumidor'', opina.
Ricardo Dias, diretor comercial das concessionárias Audi Ciavena, salienta que a linha de automóveis importados premium (acima de R$ 100 mil) não deveria ter entrado nas novas alíquotas do IPI. ''São as marcas japonesas, coreanas e chinesas que estão atingindo as brasileiras. E foi a partir disso que o consumidor iria começar a pagar mais barato em alguns modelos. Na hora da competição acirrada, esta medida foi tomada''.
Dias relata que são vendidos por volta de 2,5 mil carros premium no País, o que para o diretor da Audi não influencia em nada nas vendas dos automóveis brasileiros. ''O reajuste da nossa marca pode chegar a 55%, dependendo das cilindradas. Estimamos que a queda nas vendas deve variar entre 50% e 70%. Certamente algumas concessionárias vão acabar fechando as portas, gerando desemprego no setor''.


