Brasília - As exportações de carne bovina caíram 14,4% em outubro, na comparação com outubro de 2004, como reflexo dos embargos às importações do Brasil depois da identificação de focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. O resultado se deve principalmente a uma retração de 41,3% nas vendas para a União Européia. Ontem, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, afirmou que as perdas devem ser de no máximo US$ 300 milhões este ano.
Segundo Meziat, a previsão inicial do ministério era de exportações no valor de US$ 2,6 bilhões em carne in natura. ''Vamos ter um impacto pequeno este ano por causa da aftosa. Estão faltando pouco mais de US$ 500 milhões para cumprir a meta. No pior cenário, este resultado deve ser de US$ 2,3 bilhões'', afirmou o secretário. De janeiro a outubro, já foram embarcados para o exterior US$ 2,086 bilhões.
As exportações de carne bovina caíram de US$ 180 milhões em outubro de 2004 para US$ 154 milhões em outubro de 2005. Em relação às vendas para a União Européia, a queda foi de US$ 66,2 milhões para US$ 38,8 milhões. Na comparação com setembro de 2005, as exportações de carne bovina caíram 23%.
Apesar dos prejuízos no comércio de carne bovina, Meziat acredita que será cumprida a meta de exportar US$ 8 bilhões este ano em todo o complexo carne (todos os tipos de carnes e seus derivados). Na sua avaliação, a queda nos produtos de origem bovina será compensada com maiores exportações de frango e carne suína.
Em outubro, as vendas externas de carne de frango totalizaram US$ 331
milhões, um acréscimo de 10,9% na comparação com outubro de 2004 e de 10,7% em relação a setembro. As de carne suína somaram US$ 117 milhões em outubro, 56% a mais do que em outubro do ano passado e 25,4% acima do registrado em setembro deste ano.
Meziat avaliou que a queda das exportações de carne in natura em novembro pode ser maior que em outubro. A identificação dos focos de aftosa aconteceu apenas na segunda semana do mês passado. Portanto, parte das vendas de outubro foi realizada antes do surgimento da crise.
Para 2006, disse o secretário, o reflexo nas vendas externas dependerá da rapidez com que o Ministério da Agricultura conseguir identificar e eliminar os focos de aftosa. ''Estamos otimistas, esperando que 2006 venha a ser pouco afetado'', disse o secretário. ''O Ministério da Agricultura está tendo uma atuação eficiente no combate aos focos. Este assunto tende a diminuir rapidamente.''
Apesar da queda nas vendas de carne bovina, as exportações de produtos básicos no mês de outubro cresceram 24,1%, puxadas pelos embarques de soja em grão, minério de ferro, carne suína, carne de frango e café em grão.

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