Vânia Casado
De Curitiba
Se por um lado a comercialização de produtos na Feira do Paraná frustrou os expositores, por outro a venda de animais em leilões agradou. O faturamento geral dos leilões atingiu quase R$ 600 mil, o dobro das expectativas da Federação das Associações Paranaenses de Criadores (Fepac), que previa um faturamento de R$ 300 mil. No entanto, os criadores não ficaram satisfeitos com a atuação da empresa terceirizada Eco-Show e pregam uma desvinculação dessa parceria para a Feira do Paraná do ano 2000.
O presidente da Fepac, Ugo Rodacki, foi um dos críticos da terceirização da parte de shows e locação de espaços (detalhes na página 2 deste caderno).
Ugo Rodacki lembrou ontem que quando o Paraná for declarado área livre de febre aftosa, haverá o retorno da participação de animais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que deve elevar o nível na qualidade genética dos animais.
Atualmente essa participação está proibida por conta do fechamento de fronteiras, determinada pelo Ministério da Agricultura, já que os dois estados do Sul já são considerados livres de febre aftosa.
Charolês surpreende A surpresa na comercialização de animais ficou por conta do leilão de gado Charolês e do Limousin, que venderam acima da média esperada. O leilão de gado Charolês rendeu uma comercialização de R$ 165.620,00 com a venda de 24 animais. A média obtida foi de R$ 6.900,00, sendo R$ 8.980,00 na venda de machos e R$ 6.044,00 na venda de fêmeas. O animal de maior valor saiu por R$ 33.600,00.
O leilão de gado Limousin rendeu R$ 113.460,00 com a venda de 15 animais, o que proporcionou uma média de R$ 7.564,00. O animal de maior valor foi vendido por R$ 28 mil. Segundo o criador Paulo Roberto Domanski, vice-presidente da Associação Paranaense dos Criadores de Limousin, ainda foram vendidos mais quatro animais no pavilhão, que elevou a média de vendas para R$ 9 mil por animal. Domanski, que também faz parte da diretoria da Associação Paranaense de Criadores de Gado Simenthal, disse que estava satisfeito com o resultado da Feira do Paraná.
O pecuarista destacou que o leilão de Simenthal foi cancelado, em função das chuvas, mas mesmo assim ocorreram vendas no pavilhão. Os criadores de Simenthal contabilizam a venda de 17 animais no valor de R$ 42.200,00 o que dá uma média de R$ 2.800,00 por animal. Apesar do sucesso nas vendas, Domanski criticou a terceirização ocorrida na Feira do Paraná, que foi feita ‘‘de forma irresponsável’’.
Outro criador que criticou a ‘‘grita dos expositores’’ foi o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Gado Caracu, Lício Isfer. Segundo ele, a revolta dos expositores contra a queda nas vendas não afeta os criadores e a falta deles nas exposições futuras naõ deverá influenciar nos negócios dos criadores, ‘‘porque os expositores são um apêndice da feira’’, destacou. O leilão de gado Caracu teve um faturamento de R$ 43.200,00 com a venda de 28 animais. A média geral por animal ficou em R$ 1.542,00, sendo R$ 1.635,00 para os machos e R$ 1.473,00 para as fêmeas. O animal de maior valor foi vendido por R$ 2.760,00.
O coordenador técnico da Emater, José Geraldo Alves, rebateu as críticas à organização da Feira do Paraná, argumentando que elas são pontuais e não comprometem o desempenho do evento. Disse ainda que em momento algum a inclusão de shows comprometeu o resultado da Feira e que era preciso terceirizar a Feira, porque a Emater não tem recursos para o custeio de todo o evento.‘‘Em todo o lugar do país, as exposições pecuárias são terceirizadas e aqui a tendência e essa também’’, resumiu.

mockup