Dos cerca de 300 milhões de litros de água que deveriam ser consumidos no Brasil diariamente, considerando-se a recomendação da Organização Mundial da Saúde para que cada pessoa beba dois litros ao dia, apenas pouco mais de 14 milhões são de água mineral. E apesar de esta diferença significar, em teoria, potencial de expansão para o mercado, o ramo de industrialização de água, que emprega 200 mil pessoas, deve no máximo manter os resultados de faturamento de 2002, em torno de R$ 500 milhões, e até mesmo reduzir o volume de água vendida em 5%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Água Mineral (Abinam).
Por sorte dos envasadores de água, contudo, a estagnação enfrentada pelo mercado não foi ocasionada por erros de administração dos empresários do setor. É o que acredita o presidente da Abinam, Carlos Alberto Lancia. ''A pequena quantidade do dinheiro em circulação no Brasil e os demais fatores econômicos contribuiram para o marasmo do mercado, que consome anualmente 5,2 bilhões de litros'', teoriza. Mas Lancia reforça que essa estagnação só será realmente comprovada no final de dezembro, de acordo com fatores como temperatura, que colaboram bastante para incremento nas vendas.
Dados da própria Abinam apontam para um crescimento contínuo do segmento de 20% ao ano desde 1995, o que serviria para causar ainda mais espanto diante dos números apresentados por Lancia para 2003. Mas o ano que vem também é observado com otimismo pelo presidente da associação. ''A moda da preocupação com a saúde deve forçar a retomada do nosso crescimento. A água envasada é natural, sem aditivos ou conservantes, e isso é um grande ponto a nosso favor'', diz.
A valorização do produto em âmbito global já ocorre há tempos em países como a França, onde a famosa marca de água mineral Perrier só perde em volume de exportação para a montadora Renault. Transformada em comodity em poucos poucos anos, a água pode representar para o Brasil grande fonte de investimentos e divisas. Segundo Lancia, o Brasil detém em seu território cerca de 30% das reservas mundiais de água mineral. O Paraná, por sua vez, que responde por cerca de 7% do faturamento do setor e 5% do consumo de água no Brasil, tem em suas fronteiras grande parte da Bacia do Paraná, uma das maiores do País.
As exportações, no entanto, ainda engatinham no ramo. Lancia cobra amadurecimento dos empresários, recomendando atitudes como agregar informações aos seus produtos. ''No Brasil, temos a impressão que só existem quatro tipos de água: gelada, sem gelo, com gás e sem gás'', satiriza. ''Esquecemos das propriedades diuréticas ou digestivas que tipos de água possuem, só para citar alguns exemplos.'' Novas campanhas publicitárias dirigidas ao comércio exterior fazem parte das atitudes que Lancia recomenda ao setor.

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