Vânia Casado
De Curitiba
O faturamento das vendas de defensivos agrícolas no ano passado registraram uma queda de 8,8%. O balanço final de 99 foi divulgado ontem pelo Sindicato da Indústria de Defensivos Agrícolas, e revela que a receita do setor passou de US$ 2,573 bilhões em 98 para US$ 2,346 bilhões no ano passado. Para o Sindicato, a queda no faturamento foi provocada pela paralisação das vendas registrada logo após a desvalorização do real, em janeiro de 99. Depois disso, a região Centro-Sul, onde se concentra a maior parte das lavouras de grãos, sofreu com a seca que afetou o desempenho das vendas. O clima frio e a seca afetaram principalmente as vendas de herbicidas, fungicidas e acaricidas.
Nos Estados produtores de soja e milho houve atraso no plantio, o que provocou a retração dos produtores no uso desses produtos, justificou o Sindicato. Outros cultivos como citrus e café e a horticultura (batata e tomate) também foram afetados pela seca e clima frio. Com isso, a evolução das doenças não foi tão acentuada e os produtores reduziram a aplicação principalmente de fungicidas.
Reação No entanto, o setor abriu o ano com o mercado em reação. Em fevereiro de 2.000, o faturamento do setor aumentou 16,2% em relação ao ano passado, saltando de US$ 81,6 milhões em 99 para US$ 95 milhões em 2.000, informou o Sindicato da Indústria de Defensivos Agrícolas. A recuperação do setor foi provocada pela elevação no consumo de agroquímicos na cultura da soja e aplicação de herbicidas e inseticidas nas lavouras do milho safrinha e do algodão.
Comparando o desempenho das vendas em fevereiro de 2.000 com o resultado de 98, o faturamento das empresas de defensivos agrícolas caiu 25,2%. No período, além da desvalorização cambial, a aplicação de herbicidas na cultura da cana está reduzida, justificou o Sindicato.
O Sindag não revelou quanto foi a queda no volume de vendas. A engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), Margorete Demarchi, acredita que as vendas de defensivos desabaram no ano passado em função da elevação dos preços dos produtos, na maioria importados, provocada pela desvalorização cambial. ‘‘Mas a queda nas vendas foi compensada pela alta do dólar, que em alguns meses chegou até 60%.’.
Na interpretação da técnica, a queda no faturamento, de US$ 226,74 milhões não foi tão expressiva assim, embora ela saliente que a redução na aplicação desses produtos foi bastante acentuada. Segundo Demarchi, no ano passado os produtores usaram os produtos de forma racional para diminuir custos.

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