Venda de ações do BB é cancelada
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A pulverização de 17,8% do capital do Banco do Brasil, que seria a última oferta pública de ações de estatais promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, foi cancelada. O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou ontem a suspensão da venda devido à fraca procura pelo papel por investidores institucionais, apesar de ter sido grande a quantidade de reservas feita por pessoas físicas, principalmente com o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
O cancelamento pôs fim à estratégia do atual governo de impulsionar o Novo Mercado da Bolsa de Valores, sistema criado em janeiro de 2001 com rigorosas exigências de transparência para as empresas. Até agora apenas a CCR ingressou no segmento e esperava-se que o BB pudesse atrair outras grandes companhias. Com a suspensão, uma nova tentativa de venda ainda este mês está totalmente descartada. Caberá ao futuro governo a decisão sobre uma retomada do processo.
O diretor de Novos Produtos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eduardo Gentil, que coordenou a preparação da venda das ações, debitou à questão conjuntural do mercado o fracasso da operação. Ele avalia que a fraca procura institucional pelos papéis ocorreu porque este tipo de investidor trabalha com um horizonte mais curto e, ao comparar o retorno e o risco das ações do BB à de outros bancos, acaba optando por bancos privados. ''A demanda institucional desapontou em volume e em preço'', comentou Gentil, lembrando que a venda das ações do BB era emblemática ''para dar um empurrão'' ao Novo Mercado.
O BNDES divulgou comunicado ontem pela manhã informando que a oferta de varejo, destinada a pessoas físicas e pessoas jurídicas, atingiu o volume de R$ 1,239 bilhão, com 220.157 investidores. Desse total, R$ 981,76 milhões (191.209 investidores) estavam vinculados à reserva com recursos do FGTS, o que superou o limite de R$ 500 milhões. Outros R$ 257,3 milhões (29 mil investidores) foram reservados por meio de compra direta, fundos de migração, fundo FITVM e clubes de investimento.
''Para concluir a operação, tanto a oferta de varejo quanto a institucional precisariam demandar, juntas, o volume total de 132.334.586.966 ações ordinárias nominativas do Banco do Brasil, que correspondem a 17,8% do capital total e votante da empresa'', diz o comunicado. A oferta deveria atingir R$ 1,32 bilhão. Como a do varejo somou R$ 757,3 milhões, a institucional deveria atingir volume de R$ 563 milhões, o que não ocorreu.


