A Paraná Investimentos, empresa formada pelo governo do Estado para ser acionista da Copel, vendeu ontem, com 0,3% de ágio, 19 bilhões de ações preferencias classe B (sem direito a voto), de emissão da empresa, para os bancos Bozano Simonsen e Graphus e outras corretoras menores. A operação, feita na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) rendeu um reforço de caixa de R$ 72,8 milhões para o governo do Estado, que ainda não revelou onde vai aplicar o dinheiro. A venda ocorreu após sucessivas negativas do presidente da Copel, Ingo Hubert, e do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que diziam não ser esse o melhor momento para o Estado se desfazer de ações da companhia.
Dois terços das ações foram vendidos com um centavo acima do valor mínimo de R$ 8,15 por lote de mil ações; um terço, pelo valor mínimo. O diretor da Paraná Investimentos, Nelson Guimarães, disse ontem à Folha que a operação não é de venda definitiva. ‘‘O governo pode resgatar as ações comercializadas até o dia 19 de abril do ano que vem a 55% de seu preço’’, disse. A Copel não conseguiu resgatar em agosto as 6 bilhões de ações vendidas em abril deste ano, e que totalizavam R$ 44 milhões. Os papéis não foram perdidos porque o governo conseguiu prorrogar o prazo de resgate para dezembro.
O lote vendido ontem representa 14,77% do capital preferencial da Copel e 6,94% do capital social total da companhia. Quando a Copel foi à Bolsa de Nova York, no ano passado, a companhia comercializou ações por até US$ 19,18 o lote de mil ações, que na época equivalia a R$ 20,50. O lote total transacionado foi de 27,7 bilhões, o que representa 60% a mais do obtido no leilão de ontem. Os valores estimados pela direção da Paraná Investimentos ficaram abaixo do arrecadado no leilão. Guimarães previa antes do pregão, realizado às 18 horas em São Paulo, que a venda renderia de R$ 60 milhões a R$ 70 milhões.
Se o governo do Estado tivesse optado pela venda em março deste ano, o lote de mil ações preferenciais estaria cotado a R$ 15,38. Por causa da crise nas Bolsas, a cotação caiu mês a mês, atingindo o menor índice em setembro do mês passado, com R$ 6,02 reais. É o que consta do edital que tornou público o leilão e a alienação das ações da Copel - que ontem completou 44 anos de existência - publicado em jornais de circulação nacional no dia 16. Conforme o último balanço da Copel, a companhia apresenta patrimônio líquido de R$ 4,6 bilhões e lucro líquido de R$ 180,5 milhões ao ano.
A nova venda de ações da Copel movimentou a Assembléia Legislativa ontem. O líder do PMDB, Orlando Pessuti, usou a tribuna para criticar a operação. Segundo ele, a venda de ações, num momento como esse, representa ‘‘dilapidação do patrimônio público’’. Pelos cálculos da oposição, restam ao governo 5 bilhões de ações preferencias (sem direito a voto), levando-se em conta o projeto de lei aprovado pela Assembléia, em dezembro de 95, que liberou o governo a se desfazer de 60% das ações preferenciais e 40% das ordinárias (com direito a voto). ‘‘Estão colocando fora um patrimônio de R$ 500 milhões’’, protestou Pessuti.
O diretor da Paraná Investimentos contestou a oposição e voltou a reforçar que o governo tem interesse em resgatar os papéis. ‘‘Realizamos uma operação de renda fixa, e poderemos comprar novamente essas ações’’.

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