Venda da Telebrás vai ter impacto no bolso dos brasileiros
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de julho de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaEnsaioSimulação do leilão da Telebrás, na Bolsa do Rio, dia 20: leiloeiro bate o martelo só para treinarNa quarta-feira, deve ocorrer o leilão de privatização da Telebrás. Embora muita gente pense que esse é um assunto de interesse apenas do governo e dos empresários ligados ao setor e aplicadores, a venda dessa estatal ao setor privado deve trazer reflexos importantes e abrangentes para toda a economia e, portanto, para o seu bolso.
Como lembra o administrador do Private Bank do Banco Sudameris, Eduardo Santalúcia, o setor de telecomunicações é abrangente, e a privatização deverá mexer com vários outros setores, como os de cabos, fibras óticas, periféricos, construção, etc. Além do que, trata-se de uma área em que a renovação da tecnologia tem acontecido com muita rapidez. Isso, por si só, deve estimular novos investimentos e, por tabela, novos postos de emprego.
Com a participação do setor privado nas telecomunicações, a expectativa é que, num prazo de seis anos, o tempo para a instalação de uma linha fixa encolha para apenas uma semana. Com o aumento da concorrência no setor, espera-se também por melhora dos serviços e redução das tarifas, assim como dos preços de linhas fixas e celulares.
Qualquer investidor em ações da Telebrás, Telesp e outras do setor de telecomunicações, seja por meio da compra de Plano de Expansão, seja pelos fundos de investimentos ou carteira própria, deve continuar contando com boa valorização de seu patrimônio no médio ou longo prazos. Principalmente porque o setor, segundo analistas, tem potencial para crescer no País.
O dinheiro que irá para os cofres públicos com a venda (o preço mínimo da parte que cabe ao governo está estipulado em R$ 13,7 bilhões) deve engordar as reservas internacionais, com a chegada de dólares trazidos pelos compradores estrangeiros, e também contribuir para aliviar a dívida pública. Se é assim, o governo, com menos necessidade de captar recursos e rolar a dívida pública, ganha mais espaço para poder reduzir as taxas de juros. Com juros mais baixos, a economia tende a conseguir um novo fôlego.
As atenções do mercado financeiro, no entanto, não estarão voltadas apenas para o leilão da Telebrás, mas também para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que vai definir os juros básicos a vigorar a partir de quinta-feira. O mercado aposta em mais uma redução de juros.
Para o diretor-executivo do Banco BMC, Luís Perego, o Copom deverá baixar a Taxa Básica do Banco Central (TBC), o piso do juro, de 21% ao ano para 20%. Há alguns especialistas que apostam numa queda mais conservadora, para 20,5%. Mas existe consenso de que as taxas cairão a dúvida é quanto à magnitude do recuo.
Perego entende que, na reunião seguinte do Copom, marcada para o dia 2 de setembro, haverá nova redução dos juros. Ele aposta numa TBC de 18% ao ano a partir de setembro. Depois disso, a tendência é que as taxas sejam mantidas nesse nível até o fim do ano.


