Venda da Telebrás poderá ser adiada
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segunda-feira, 04 de maio de 1998
Das agências 
Arquivo FolhaCobrindo rombosLuis Carlos Mendonça de Barros quer carrear os recursos da privatização para abater a dívida públicaSeguir à risca o cronograma traçado para a privatização da Telebrás não é mais a prioridade número um do governo neste processo. Ontem o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, disse que a privatização da Embratel poderá atrasar porque a divisão de receitas entre a Embratel e as operadoras estaduais nas ligações interurbanas está sendo revista. Mendonça de Barros, que passou ontem o cargo de presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a André Lara Rezende enfatizou que o fundamental no processo é garantir a competitividade entre as operadoras.
Lara Rezende também insistiu neste aspecto. Não vejo qualquer problema se atrasarmos o cronograma de privatização da Telebrás, afirmou ontem depois da cerimônia de transferência de cargo. Antes, havia a necessidade de o governo mostrar que a privatização das teles era para valer, agora isso já está claro, logo um pequeno atraso não será problema.
Quanto à limitação na participação do capital estrangeiro na privatização da banda B, Barros lembrou que a presença do investidor externo nos consórcios que concorreram à licitação era de 49%. Essa restrição poderá ser revista para a venda das empresas de telefonia celular da Banda A. Mendonça de Barros defendeu também a utilização integral dos recursos da privatização do setor de telefonia para dedução da dívida pública.
Na entrevista, Rezende disse que os recursos da privatização devem reduzir o déficit público abatendo dívidas, o que de certa forma reduz o custo de financiamento do Estado, o ônus dos serviços da dívida pública no futuro. Mas alertou: Agora, certamente, usar venda de ativos para financiar déficit corrente é uma das políticas mais irresponsáveis que se pode fazer. O presidente do BNDES enfatizou que a utilização das receitas de privatização para abatimento da dívida pública não justifica um atraso no combate ao déficit público e nem substitui o ajuste fiscal necessário.
Ao assumir ontem a presidência do BNDES, André Lara Rezende, antecipou duas novidades importantes. Admitiu a possibilidade de o banco voltar a antecipar receitas para estatais em vias de privatização e até mesmo de financiar a aquisição dessas companhias nos leilões de privatização. E o mais relevante: a regra, segundo ele, valeria tanto para empresas estaduais quanto para federais. Neste ano, o banco havia interrompido essas operações, que já somam R$ 2,7 bilhões, diante da escassez de recursos (R$ 17 bilhões para 1998) ante a demanda por investimentos, que já soma R$ 22 bilhões.
Sempre haverá falta de dinheiro frente à demanda, disse Lara Rezende. Mas o banco atuou com muito sucesso nessas operações, não vejo por que não voltaríamos a antecipar receitas e mesmo financiar a compra.
Outra novidade que, se concretizada, aumentará a atratividade da privatização da Telebrás, é a possibilidade de o governo financiar os grupos interessados em adquirir as empresas tanto da banda A, de telefonia celular, quanto da telefonia fixa. Esse financiamento não ocorreu no leilão da Banda B, embora a empresa de participação do banco, a Bndespar, pudesse participar de até 20%, ou R$ 200 milhões, o que fosse menor, de grupos interessados em concorrer às licitações para a banda B. Mas ainda não há decisões a esse respeito.
No auditório do BNDES em que foi feita a cerimônia de posse, pela primeira vez em cinco anos em um discurso neste tipo de solenidade foi pronunciado o nome do ex-presidente do BNDES Eduardo Modiano, que, aliás, estava discretamente na platéia. O autor da citação foi André Lara Resende, que se referiu a ele, a Pérsio Arida e a Edmar Bacha como ex-dirigentes do banco, também economisas envolvidos com os planos de estabilização do País. Ele disse reconhecer o papel do banco para o desenvolvimento do País no próximo século. Temos no governo um grande grupo de pessoas com as mesmas idéias, trabalhando harmoniosamente em nome de objetivos comuns, assegurou. Ele disse também esperar ficar mais tempo no BNDES do que o que Mendonça de Barros, seu amigo, espera: é que o atual ministro das Comunicações tem dito que somente ficará no ministério até vender a Telebrás. Depois, quer de volta o cargo no BNDES.


