Diante dos prejuízos apresentados pela Sercomtel, a FOLHA foi ouvir empresários e dois ex-presidentes da operadora pública de telefonia de Londrina. Como mostrou reportagem publicada na última sexta-feira, tanto a empresa de telefonia Fixa como a Celular fecharam com contas no vermelho por seis vezes entre os anos de 2002 e 2011.
Na Fixa, os prejuízos foram registrados em 2001, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2009 e somaram R$ 38,6 milhões. Os lucros de 2002, 2007, 2008 e 2010 ficaram em R$ 17,1 milhões. Já a Celular apresentou resultados negativos em 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, num total de R$ 36,3 milhões. Os resultados positivos, dos anos de 2002, 2003, 2004 e 2011, somaram R$ 13 milhões.
Integrante do Movimento Londrina Competitiva (MLC), o empresário Oswaldo Pitol acredita que a Sercomtel precisa ser vendida. ''O Município deveria investir o dinheiro da venda em algum projeto de infraestrutura'', afirma. O Arco Norte, por exemplo, seria uma boa opção, segundo o empresário. ''A concorrência nesta área torna-se cada vez mais acirrada. No mundo inteiro, só as grandes sobrevivem porque têm ganho em escala. Não sei até que ponto a Sercomtel terá dinheiro para fazer os investimentos necessários'', declara.
Segundo Pitol, nem mesmo as parcerias com a Copel - que vão permitir a expansão da Sercomtel pelo Paraná - serão suficientes para tirar a empresa do vermelho. ''O órgão público não é bom gerente. Nunca teremos a garantia de que o presidente da empresa não será indicado por questões políticas'', ressalta.
Já para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), o Município ''perdeu a oportunidade lá atrás'' de vender a Sercomtel Celular, ''quando ela tinha valor no mercado''. Ele se refere ao plebiscito realizado durante a administração do prefeito Nedson Micheleti (PT), em 2001, quando a população decidiu não vender a telefônica.
''Venceu o corporativismo. Os funcionários (da Sercomtel) se mobilizaram contra a venda pensando na manutenção dos seus empregos. Influenciaram sindicatos e associações de moradores. Isso custou muito caro à empresa'', afirma Benvenho. Segundo ele, ''todos sabiam que a Sercomtel Celular não teria fôlego para enfrentar a concorrência com as operadoras privadas''.
Para o presidente da Acil, a Sercomtel Fixa também poderia ter sido vendida no passado. Agora, ele tem dúvida se existiriam interessados no negócio. ''Principalmente a Celular tem pouco poder de fogo.'' De acordo com o empresário, a saída é tentar tornar a operadora um ''player'' importante, com a ajuda da Copel. ''O momento de ouro para vender a Sercomtel já passou.''
O empresário Fernando Kireeff acha o debate inoportuno. ''Eu penso que neste momento não cabe a discussão sobre vender ou não a Sercomtel. A empresa tem muito o que fazer para aumentar o seu valor'', diz ele, que deixou a presidência da operadora em agosto do ano passado, após uma experiência de 24 meses na telefônica. ''A Sercomtel tem um plano, tem um potencial de valor que deve ser atingido a partir de sua reorganização interna, do processo de expansão e do lançamento de novos produtos'', ressalta.

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