Venda da Chapecó bem recebida no PR
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O grupo Macri que adquiriu a Chapecó deve anunciar nesta quarta-feira o destino da unidade industrial de Cascavel. Os planos do Macri com relação ao Paraná serão anunciados pelo próprio presidente do grupo Alex Fontana, informou ontem a assessora de imprensa Cláudia Oliveira.
A venda das indústrias do grupo catarinense Chapecó, para o argentino Macri, confirmada no final da semana, completa processo de negociação iniciado em 1998, motivado por grave e longa crise financeira que a primeira organização, que opera também em Santa Catarina e São Paulo. Em Cascavel, onde está uma das unidades que foi envolvidas em situação mais complexa, por causa de longa inatividade e reflexos para o emprego urbano e para avicultores, o gerente, Genésio Garbin, disse ontem que a negociação por enquanto nada alterou no dia-a-dia por aqui.
O frigorífico que era operado pela Chapecó está abatendo sessenta mil cabeças de frango por dia desde março, depois de longo período de inatividade. O abate havia sido suspenso em dezembro de 97, depois de ter chegado a cem mil cabeças, e com emprego para mil pessoas - agora, são 260 funcionários. Os trabalhadores, e aproximadamente quatrocentos fornecedores de aves, de vários municípios, haviam realizado inúmeros protestos contra a desativação - os avicultores chegaram à greve de fome durante vários dias, em Cascavel.
Segundo José Lino Bergamin, de Capitão Leônidas Marques, líder dos produtores, eles haviam sido estimulados pela empresa a implantar as granjas e comprar equipamentos, com financiamento bancário, acumulando pesadas dívidas, por isso suas vidas acabaram sendo vinculadas ao próprio frigorífico. Por enquanto, a indústria opera em parceria entre a Chapecó, que faz o abate, a Sadia, de Toledo, que comercializa a produção, e a empresa local Globoaves, que fornece os pintainhos para os aviários. O governo do Estado apoiou a reativação, mediante protocolo de incentivo.
Transação Ontem foi o primeiro dia de atividades normais das indústrias Chapecó, sob o comando do grupo argentino, que passou a deter 100% das ações ordinárias e 60% do capital da empresa, no valor de US$ 85,5 milhões financiados pelo BNDES. Outros 35% do capital estarão sendo adquiridos pelo BNDESPar, que fará um aporte de capital de US$ 28 milhões.
A nova empresa tem oito anos de prazo para pagar dívidas herdadas da Chapecó. Para viabilizar a transação, anunciada do final da semana passada, o grupo Macri teve que renegociar dívidas de US$ 290 milhões com 20 bancos. O perfil da dívida caiu para US$ 140 milhões. O Bndes teve papel importante no processo.





