O consórcio vencedor do leilão de privatização da Ferroeste terá que realizar investimentos pesados na ferrovia. O maior será na aquisição de locomotivas e vagões. Estudos da empresa mostram que para operar a ferrovia com capacidade plena de transporte - o que significa movimentar 60% da safra do Oeste do Paraná, hoje em torno de quatro milhões de toneladas - o novo concessionário terá que adquirir 60 locomotivas e 732 vagões, num investimento estimado em R$ 116 milhões. Uma locomotiva usada custa hoje próximo a R$ 1,2 milhão e a nova, R$ 2 milhões.
‘‘A privatização da Ferroeste é mais difícil do que outras malhas da RFFSA, em razão dos investimentos necessários em material rodante. Por isso, vale só R$ 25 milhões’’, observa o diretor de marketing da empresa e ex-superintendente da RFFSA, José Haraldo Carneiro Lobo.
A Malha Sul da RFFSA com 337 locomotivas, 9,7 mil vagões e 6,5 mil quilômetros de linhas será leiloada em dezembro por R$ 158 milhões. Desde o início das obras em 1992, o governo do Paraná investiu na Ferroeste R$ 363,6 milhões, oriundos do Estado.
O grupo vencedor terá ainda que investir cerca de R$ 12 milhões, ou seja 50% do total previsto (os outros 50% serão investidos pelos vencedores do leilão da Malha Sul, em 13 de dezembro), na remodelação do trecho de 257 quilômetros entre Guarapuava e Desvio Ribas, em Ponta Grossa, que pertence à RFFSA. O trecho é antigo, com raios de curvas fechadas e rampas altas, incapazes de servir à Ferroeste, quando esta estiver operando em larga escala, entre 2002 e 2005.
O edital de privatização da Ferroeste obriga o vencedor do leilão a transportar já no primeiro ano de operação da ferrovia 1,6 milhão de toneladas de grãos. Para isso acontecer, a Ferroeste celebrou um convênio com a RFFSA, que deverá fornecer as locomotivas e vagões, nos dois primeiros anos de privatização, viabilizando o início da operação.
O contrato prevê que a RFFSA irá recuperar 20 locomotivas e 300 vagões por um valor previsto de R$ 10 milhões. O dinheiro será emprestado pela Ferroeste à RFFSA e será pago em quatro anos.
As locomotivas e os vagões da RFFSA serão suficientes para o transporte de um milhão de toneladas em cargas. O grupo vencedor terá de aportar recursos para a compra de material rodante para cumprir com o compromisso de transportar outras 600 mil toneladas.
Para comprovar que o novo concessionário irá colocar a Ferroeste em operação plena, o consórcio terá que apresentar um contrato, logo após a assinatura da concessão da ferrovia, em 10 de fevereiro de 1997, assegurando que está adquirindo ou alocando material rodante. Se o compromisso não for cumprido, o grupo vencedor perderá a Ferroeste.

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