O comércio do Paraná prepara os estoques para o Natal e Ano Novo, a data-forte do setor no ano, mas sem desprezar os efeitos da crise econômica internacional, principalmente depois dos ataques terroristas contra os Estados Unidos. Lojas e supermercados planejam reforçar os estoques, mas moderam as expectativas de vendas. O dólar em disparada este ano também terá reflexos no Natal brasileiro, que promete ser bem mais ''verde-e-amarelo'' do que nos anos anteriores, com produtos nacionais desbancando os importados.
Em Londrina, no Catuaí Shopping Center, os lojistas começam agora a fazer os seus pedidos às fábricas. ''Nossas expectativas não são excelentes, mas esperamos um Natal, pelo menos, igual ao do ano passado'', infoma o presidente da Associação dos Lojistas do shopping, Eduardo Caram. Ele calcula que os consumidores encontrarão nas lojas preços semelhantes aos de 2000, uma vez que as indústrias estão mantendo os valores de suas mercadorias estáveis. ''Os produtos nacionais estão mais fáceis de serem negociados. O mesmo não ocorre com os importados'', acrescentou.
O setor de importados está, realmente, mais cauteloso. As expectativas, no entanto, não são ruins. Segundo o proprietário da loja de presentes Aspen Importados, Robins Hara, há alguma margem de negociação com as indústrias no exterior, que também podem ter sua estabilidade ameaçada com a redução da exportação para o Brasil. ''Os importadores estão buscando outros produtos e os lojistas também vão buscar oportunidades em importadoras'', comenta.
Ele calcula que os importados devam chegar ao consumidor com preços entre 7% e 15% mais altos. ''Isso é apenas uma projeção, por enquanto'', ressalva. Hara diz que ainda não iniciou as compras. ''Vou esperar um pouco mais para sentir o comportamento do mercado.''
A loja Riachuelo mantém a esperança de um fim de ano movimentado. ''Recebíamos de quatro a cinco mil peças por dia e agora já estamos recebendo de 8 a 10 mil peças. Temos que manter um estoque aproximado de 200 mil peças para dar suporte às vendas de Natal'', comenta Antonio Sampaio de Andrade, gerente da loja em Londrina. Apesar das crises, Andrade se diz otimista com o mercado. ''Dezembro não falha'', afirma. E alerta: os lojistas que não se prepararem, vão perder vendas.
Os consumidores também já começam a pensar nas compras de Natal. Uns, mais otimistas, acreditam que vão poder presentear os parentes como nos outros anos. ''Trabalhei bastante este mês e para minha família também as coisas melhoraram bastante neste final de ano'', comemora a professora de inglês e estudante de jornalismo Ana Cláudia Gomes Pereira.
Outros consumidores estão mais pessimistas. Na previsão da secretária Cristina Santana, estes vai ser um Natal de presentes baratos. ''Acredito que vai ter muito presente de R$ 1,99'', comenta. A dona de casa Norma Romero também espera um Natal ''apertado''. ''Não tenho como programar nada por enquanto. Acho que só vou poder ver se vai sobrar alguma coisa para presentes quando estivermos bem perto do Natal.''

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