José Maria Tomazela
Agência Estado
Sorocaba - O campo prepara uma operação de guerra para colher a maior safra de grãos da história do País. Retirar da terra os 132,2 milhões de toneladas que o País está produzindo em 46,2 milhões de hectares vai exigir a mobilização direta ou indireta de 25 milhões de pessoas. Destas, 1,3 milhão conseguirá emprego em decorrência do agronegócio. A partir deste mês, cerca de um terço da frota brasileira de caminhões, estimada em 1,5 milhão de veículos, estará comprometida com o transporte de grãos. A colheita vai pôr no campo 50 mil colheitadeiras e cerca de 350 mil tratores. Só a safra de soja, vedete da nossa produção agrícola, estimada em 58,9 milhões de toneladas, seria suficiente para encher 2 milhões de carretas. Em relação ao ano passado, a produção será 14,4% maior.
  Os R$ 270 bilhões gerados por esses grãos vão movimentar uma parcela substancial da economia. Cerca de 2,5 mil sistemas de armazenamento, incluindo silos e secadores de grãos, estão em construção em todo o País. Fábricas de fertilizantes, máquinas, tratores e aviões agrícolas operam com capacidade plena e pedem prazo para atender aos pedidos.
  Oficialmente, a colheita da safra de verão vai começar no fim do mês, com uma solenidade organizada pelo Ministério da Agricultura, mas as máquinas já estão no campo. Culturas precoces de soja estão sendo colhidas em São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Paraná.
Mão-de-obra - O diretor comercial da revenda de máquinas agrícolas Tratormec, Cláudio Vicente Coelho, lamenta não ter para pronta entrega semeadeiras e colheitadeiras. A demanda está acima da capacidade de produção, segundo ele. A Case New Holland (CNH), líder do setor, inaugurou em novembro, em Curitiba, uma unidade para fabricação de plataformas de colheitadeiras. O investimento de R $ 20 milhões resultou num aumento de 30% na produção, já que essa linha saiu da unidade que faz as máquinas. Foram contratados mais 500 empregados e, ainda assim, a empresa opera no limite da capacidade. A CNH mantém, em parceria com a Universidade Federal do Paraná, um centro de treinamento que recebe técnicos e operadores de máquinas de todo o País.
  O aumento na demanda dessa mão-de-obra fez com que o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), regional de São Paulo, dobrasse o número de cursos voltados para o segmento. Segundo o coordenador geral Sérgio Perrone, a média dos cursos para operação e manutenção de tratores e máquinas no período de 1993 a 2003 foi de 180 por ano. Para 2004 estão programados 327. Já o de cultivo de grãos passa este ano de uma média de 25 para 95. Os cursos formaram 40 mil trabalhadores desde 93, mas só este ano devem formar 8,5 mil.

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