O corte mais acentuado da Taxa Básica do Banco Central (TBC), que escorregou de 34,50% ao ano para 28%, levou a um realinhamento, para baixo, das taxas de juro dos CDBs, que, de forma geral, modelam também o rendimento dos fundos de renda fixa. A adequação da remuneração das aplicações de renda fixa ao nível mais baixo de juro não é motivo, contudo, para uma reavaliação precipitada dos investimentos. Até porque não se espera, de imediato, um maciço deslocamento de recursos para as Bolsas de Valores, que, em tese, seriam favorecidas pelo encolhimento das taxas de juro. A brusca queda dos juros, aliás, contemplou com ganho adicional o investidor de fundos cuja carteira está recheada com títulos prefixados, os mesmos que amargaram fortes perdas com o esticão dos juros em outubro.
A vigorosa poda de 6,5 pontos porcentuais na TBC, numa só tacada, indica a clara disposição do Banco Central de dar continuidade à política de queda dos juros. É altamente improvável, no entanto, que o tamanho do corte seja reprisado. Ademais, a rentabilidade na renda fixa, embora menor, permanece elevada. O juro nominal é praticamente idêntico ao real porque a inflação média está perto de zero.
No momento, o juro real está em torno de 17% ao ano, pelas contas de Eduardo Santalúcia, gerente da divisão de Private Bank do Banco Sudameris. O cálculo, projetado para dois meses, levou em conta a TBC de 28% até 15 de abril e uma outra dois pontos menor, de 26%, estimada para a próxima, e inflação média de 0,7% acumulada no período. É um juro real que está entre os maiores do mundo, sem maiores riscos para o investidor.
Ainda assim, a perspectiva de uma reação positiva das Bolsas ao tombo dos juros torna o momento interessante para que o investidor diversifique as aplicações. Quem está abraçado em ações não deve desfazer-se delas e quem está fora pode deslocar, de acordo com as condições de cada um, de 20% a 25% do capital em ações. O meio mais indicado, segundo Santalúcia, é pelos fundos de ações tradicionais, de preferência ‘‘os que carregam papéis de segunda linha na carteira’’.
As Bolsas teriam um estímulo adicional se o PMDB desistir de lançar candidato à Presidência e apoiar Fernando Henrique Cardoso nas eleições de outubro.

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