Veja até onde pode ir a boa fase
A notória preferência pelo investimento em ações está sustentando altas contínuas das Bolsas. A migração de recursos antes estacionados na renda fixa para a renda variável anima os pregões e, atiçado pela vistosa rentabilidade, até mesmo o mais arredio dos investidores não resiste ao apelo das ações. A impressão é de que o tradicional conceito de risco que fazia a diferença entre a renda fixa e a variável foi deixado de lado, em troca de maior rentabilidade.
O risco permanece, mas o fato é que a sofisticação e a maior flexibilidade dos fundos de carteira livre, principalmente, possibilitam certa proteção ao capital. O forte ingresso de dinheiro no mercado também é um fator de redução do risco das ações. A expansão do volume de negócios, para algo em torno de R$ 1 bilhão ao dia na Bolsa de São Paulo, deixa o mercado menos exposto a manobras especulativas dos que fazem a Bolsa pender de um lado a outro de acordo com seus interesses.
O que os analistas não descartam são as vendas para a realização de lucros acumulados pelo investidor. De fato, os números são convidativos às vendas. A Bolsa de São Paulo acumula rentabilidade nominal de 91,66% no ano, até sexta-feira, e de 7,37% em apenas quatro pregões de julho. Nos últimos dias, contudo, o forte interesse pela compra de ações tem amortecido, quando não neutralizado, o efeito das vendas sobre os preços dos papéis.
A valorização de 91,66% no ano corresponde a uma média, definida pela variação do Índice Bovespa (IBovespa), que mede a oscilação de 47 ações mais negocidas na Bolsa de São Paulo. Como qualquer ativo ou produto, a ação tem seu preço, que sobe ou cai de acordo com a procura. A questão, pois, é saber até onde pode ir a alta. Analistas se alinham à idéia de que a tendência pode ser mantida se persistir a demanda dos fundos por ações. A perspectiva fica reforçada caso o capital externo também retome compras, tudo indica, quando for dada largada a nova rodada de privatizações.
O gerente do Banco de Investimentos Sudameris, Eduardo Santalúcia, vê um quadro positivo para as Bolsas nos próximos meses: continuidade das privatizações, inflação baixa e fortalecimento da possibilidade de reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Também o cenário externo deve continuar favorável ao Brasil. Além disso, acredita que os juros reais domésticos possam cair um pouco mais.
Embora não aposte na repetição do desempenho do primeiro semestre, Santalúcia avalia que os mercados de ações devam render mais que a renda fixa nos próximos seis meses. É preciso estar preparado para um ou outro mês de rendimento negativo, mas as Bolsas devem suplantar os juros da renda fixa.
Caderneta O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) lançou, dia 2, um movimento pela recuperação da perda dos rendimentos da caderneta em março de 1990. A perda de 85,24%, com o Plano Collor, atingiu as contas com datas-base entre os dias 14 e 28. A ação será movida contra os bancos e dela podem participar também os poupadores não associados ao Idec.





