Veiga: 'Desnaciona- lização preocupa'
Especial para Folha
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, declarou ontem, em Foz do Iguaçu, que o governo federal está preocupado com a tendência de internacionalização do setor de telecomunicações no Brasil.
Não há nenhum problema de uma empresa brasileira ser comprada por uma estrangeira. No entanto, o governo deve intervir se achar que a desnacionalização é um processo, disse o ministro, que encerraria com um discurso na noite de ontem o Futurecom 2000 - maior evento brasileiro na área de telecomunicações.
Veiga não adiantou quais as medidas que deverão ser tomadas para evitar a total desnacionalização no setor. Constatado o problema, deveremos conversar com operadoras e empresas prestadoras de serviço que estão preferindo trabalhar com equipamentos importados, revelou o ministro.
Se existem exemplos de operadoras que preferem produtos nacionais e têm desempenho até superior aos concorrentes, aparentemente não há motivo para importação maciça de equipamentos, completou Veiga, referindo-se a Tele Centro Sul, que usou fornecedores brasileiros em sua últimas aquisições de equipamento.
O depoimento do ministro foi feito sob o impacto do anúncio da compra das empresas brasileiras Zetax e Batik (que produzem centrais telefônicas) pela norte-americana Lucent. O valor do negócio ficou entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões, segundo informações extra-oficiais. Com a negociação, sobe para 15 o número de empresas nacionais compradas pela Lucent nos últimos 15 meses. A gigante norte-americana já investiu US$ 250 milhões desde que se instalou no Brasil em 1997, quando comprou a Sid Informática, do grupo Sharp.
Recentemente, a Zetax, empresa de Campinas (SP), teve problemas com a Telefonica, operadora de telefonia fixa no estado de São Paulo. Os espanhóis não queriam aceitar a entrega de equipamentos referentes a uma compra da antiga Telesp. O impasse foi resolvido em favor da empresa brasileira.





