Veículos puxam crescimento da produção industrial em agosto
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terça-feira, 02 de outubro de 2012
Fábio Galiotto <br> <br> Reportagem Local 
A produção industrial brasileira mostrou recuperação de 1,5% em agosto em relação a julho, puxada principalmente pela fabricação de automóveis e de bens duráveis. Segundo balanço divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os cortes no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) fez com que os setores de carros, eletrodomésticos e móveis crescessem, juntos, 9,4% em três meses.
A indústria brasileira tende a mostrar recuperação até o fim do ano, mas ainda deve fechar em baixa, de acordo com a opinião de especialistas. Até agosto, o índice de produção foi negativo em -3,4% no acumulado do ano e em -2,9% nos últimos 12 meses. Mesmo assim, o resultado deve servir de base para o crescimento do setor em 2013.
Em agosto, houve alta na produção de 20 de 27 setores industriais em relação ao mês anterior, resultado melhor do que o de julho ante junho, quando 12 segmentos cresceram. ''Estamos deixando para trás a condição pior para a indústria, que vem de um primeiro semestre fraco, mas está dando sinais de reação'', afirma o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que prevê que o crescimento continue até o fim do ano .
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti, já esperava o bom resultado da indústria de automóveis, após recorde de vendas no último mês. Ele acredita que o governo tenha esgotado os recursos para incentivar a produção em 2012. ''Neste ano não há muito mais o que fazer porque os investimentos da indústria não estão ocorrendo, principalmente pela perda da competitividade do setor no mercado internacional.''
Justamente pela vinculação das indústrias às exportações é que o diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, vê como corretas as medidas do governo federal para estimular o consumo, como o corte no IPI. Ele alerta, porém, sobre os limites desse tipo de ação e pede maior estímulo à produção a partir de 2013. ''Temos o exemplo do endividamento (pelo consumo excessivo) como ocorreu nos Estados Unidos, então é necessário incentivar o mercado industrial também.''
Tanto Meneghetti quanto Suzuki dizem que as medidas do governo federal previstas para 2013, como a redução das tarifas de energia elétrica e a desoneração da folha de pagamento de determinados setores, ainda são tímidas. ''É preciso mexer no Custo Brasil, que prejudica a competitividade com os altíssimos encargos sociais e burocracia, por exemplo'', afirma o presidente da Fenabrave. ''Falta política fiscal mais agressiva e investimentos em infraestrutura por parte do Estado'', completa o diretor do Ipardes.
Ambos se mostram otimistas em relação ao próximo ano, mas pedem pressa, porque as mudanças estruturais são demoradas. ''O governo tem mostrado que tende a mexer nestas questões e espero que continue nesse caminho'', conta Meneghetti.
No Paraná
Julio Suzuki afirma que os dados por Estados sobre agosto serão anunciados na próxima terça-feira, mas afirma que o Paraná teve, até julho, média de produção acima da nacional. O diretor do Ipardes conta que o setor paranaense cresceu 1,8%, enquanto a média no Brasil é de queda de -3,6% nos primeiros sete meses do ano.



