Veículos e materiais de construção derrubam varejo no PR
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Fábio Galiotto <br>Reportagem Local 
O faturamento real aumentou 2,4% no ano para o varejo restrito do Paraná e caiu 3,0% para o ampliado, que inclui a venda de materiais de construção e de veículos e peças, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda de 10,5% nas revendas automotivas e de 3,3% na de materiais puxou o indicador geral para baixo da média nacional, ainda que os negócios de bens de valores mais baratos tenha fechado 2014 com um resultado melhor.
No País, o comércio teve variação deflacionada de 2,2% no varejo restrito, o mais baixo resultado desde a queda de 3,7% em 2003, e redução de 1,7% no ampliado. Os altos índices de inflação, de juros e de endividamento, que corroem o poder de compra do trabalhador, e o baixo crescimento econômico do País fizeram com que o consumidor reduzisse a aquisição de produtos de maior valor, como veículos e materiais de construção. Ainda, estados mais industrializados, como é o caso do Paraná, sofreram mais com o cenário de estagnação econômica pela redução no mercado de trabalho do setor fabril, dizem analistas ouvidos pela FOLHA.
As atividades que mais influenciaram negativamente o desempenho paranaense no ano foram livros, jornais, revistas e papelaria (-20,1%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-16,9%), veículos, motocicletas, partes e peças (-10,5%), móveis (-6,0%) e materiais de construção (-3,3%), conforme a PMC. Com exceção das vendas de automotivos, que ficou muito próximo, a média nacional nos ramos citados foram bem mais aquecidas (veja mais no infográfico).
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, afirma que o resultado no Estado se deve ao menor consumo de artigos considerados mais supérfluos e à menor atividade econômica. "Equipamentos e materiais de escritório, por exemplo, são ligados à produção, porque são consumidos em vendas de bens."
O economista Francisco Castro, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), completa que o Estado, por ser mais industrializado do que os do Norte e Nordeste do País, sofre mais em momentos de desaquecimento. "O Paraná tem um peso muito forte da indústria de automóveis, agroindustrial e pela refinaria de petróleo", cita. Ele completa que o setor fabril tem registrado perdas que se refletem nas vendas no varejo.
Pela mesma lógica, o consultor da Acil acredita que o impacto negativo seja menor em Londrina. "Nosso processo municipal de industrialização é menor, mais focado em serviços do que o de Curitiba, por exemplo, que pode registrar um reflexo maior desse cenário econômico."
Para 2015, ambos estão pessimistas. "A perspectiva é de estagnação da produção e do País, ao menos em médio prazo", diz Castro. Rambalducci, entretanto, vê a possibilidade de vendas razoáveis no varejo restrito. "Pode ocorrer uma elevação, porque quando as pessoas não compram carros, não comprometem a renda com um bem de maior valor e transferem o consumo para produtos de menor valor", diz.
Tradicional mês de boas vendas devido às festas de fim de ano, dezembro de 2014 não foi um bom mês para o comércio do Paraná na comparação com o mesmo período de 2013. Os principais responsáveis foram os setores de livros, jornais, revistas e papelaria (-14,4%), material de construção (-10,9%), tecidos, vestuário e calçados (-8,3%), veículos, motocicletas, partes e peças (-6,2%), eletrodomésticos (-4,0%), móveis (-2,4%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-1,6%).


