Rio de Janeiro- As atividades de veículos automotores e máquinas e equipamentos responderam, sozinhas, por 40% do crescimento da produção industrial apurado pelo IBGE no ano passado. Da expansão de 6,0%, esses dois segmentos responderam por 2,47 ponto porcentual. Apesar do forte peso dessas atividades no desempenho industrial, o economista Paulo Mol, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) não vê risco de limite de utilização de capacidade nesses segmentos.
Segundo ele, no caso de máquinas e equipamentos o nível de utilização não é muito elevado. Por outro lado, em veículos automotores o aumento do uso da capacidade foi muito forte no ano passado, mas há também investimentos já anunciados que deverão maturar antes de que seja aceso algum sinal de alerta.
Mol explica que, como a atividade industrial é mais intensa no segundo semestre, será possível atravessar os primeiros seis meses do ano sem pressão sobre a capacidade da indústria. Nos últimos seis meses do ano, quando há forte aquecimento de atividade, ele acredita que alguns investimentos já terão apresentado resultados. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Fiat do Brasil pretende investir R$ 5 bilhões na ampliação de unidades industriais, o que permitirá a criação de 5.500 novos postos de trabalho nos próximos dois anos.
Já a Peugeot Citroën do Brasil pretende investir R$ 110 milhões em sua fábrica sediada em Porto Real (RJ), e a Volkswagen Caminhões e Ônibus vai aplicar R$ 1 bilhão nos próximos quatro anos na fábrica de Resende (RJ). A produção de veículos automotores cresceu 15,2% no ano passado, expansão bem acima da indústria em geral (6,0%). O setor contribuiu, sozinho, com 1,35 ponto, ou quase 23% do crescimento total da indústria do País.
Segundo Mol, esse forte aumento não levou a uma ''explosão'' no uso da capacidade porque a indústria automobilística investiu muito na década de 90, ampliando a capacidade de produção em cerca de 3 milhões de unidades e, pouco tempo depois, passou a operar com capacidade mínima, só retornando à maior carga nos últimos dois anos.

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