Vazio sanitário para evitar ferrugem da soja
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná estabeleceu o vazio sanitário para a soja, em 2008, através de uma resolução assinada pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini. Esta decisão inviabiliza o plantio da safrinha entre os meses de fevereiro e março. A norma determina a fiscalização sobre todos os agentes da cadeia produtiva como o plantio, transporte, armazenagem, industrialização e a comercialização da produção de soja.
O vazio sanitário vai vigorar entre 15 de junho a 15 de setembro de 2008. Nesse período não pode haver nenhum plantio, colheita ou manuseio inadequado de soja. Até mesmo as plantas voluntárias que nascem em beiras de estradas, caminhos e ferrovias, devem ser eliminadas. O objetivo é evitar a proliferação da ferrugem asiática, doença que já causou prejuízos avaliados em R$ 3,82 bilhões à sojicultura brasileira na safra 2005/2006.
A medida é apoiada pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep). ''A ferrugem asiática causa muito prejuízo e pode levar até a quebra de safra'', disse o assessor técnico-econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque. Para ele, a decisão não vai trazer redução de produção e nem prejuízo econômico para o setor. A previsão é que o Paraná produza 12 milhões de toneladas de soja na safra 2007/2008 contra 11 milhões na safra anterior.
O Paraná será o oitavo estado a adotar o vazio sanitário para a soja. A medida já foi implantada no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo. Os produtores que não cumprirem a resolução sofrerão as penalidades legais que podem chegar até à restrição de crédito rural e interdição da propriedade.
''A soja safrinha, plantada no início do inverno, ocupa uma área considerada insignificante para a produção estadual'', disse o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral). Na última safra foram plantados 78 mil hectares, que corresponderam a 2% da área de soja plantada no período normal. A produção obtida na safra passada, de 126 mil toneladas, representou 1% da produção normal do Estado.
A ferrugem asiática entrou no Brasil e no Paraná no final da safra de verão 2000/2001. No primeiro ano, provocou queda de produtividade de 70% nas lavouras afetadas. Na safra 2003/04, provocou a perda de 4,5 milhões de toneladas de soja no Paraná. A doença é muito agressiva, provocada por um fungo de alta capacidade de reprodução e que necessita de hospedeiro vivo para sobreviver, no caso as plantas de soja. A doença provoca a queda das folhas e prejudica a formação dos grãos, derrubando drasticamente a produtividade das plantas.


