O vazio sanitário da soja termina amanhã e na próxima segunda-feira os produtores do Paraná já começam a se movimentar para o plantio, que varia segundo o zoneamento de cada região, e deve iniciar no dia 20 de setembro. Durante as fiscalizações de propriedades rurais e locais com cultivo de soja, os agentes da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) realizaram 244 notificações, o equivalente a 17,8 mil hectares, até o dia 14 de junho - um dia antes do início do vazio - e 76 autuações durante os três meses em que é proibido cultivar a oleaginosa. O saldo, de acordo com dados da agência, foi positivo, com poucas incidências, representando uma área mínima de 1,4 mil hectares no universo de 4,85 milhões de hectares que devem ser utilizados na safra 2013/14.
Vale lembrar que o vazio sanitário compreende um período de três meses, iniciado em 15 de junho, durante o qual não pode haver plantas vivas de soja em nenhuma localidade do Estado, com exceção das entidades de pesquisa. A ação acontece há sete anos em 11 estados brasileiros e no Paraguai para evitar a incidência de focos da ferrugem asiática, doença provocada por fungos que atacam as lavouras de soja.
De acordo com a engenheira agrônoma da Adapar, Maria Celeste Marcondes, os produtores, de maneira geral, então mais conscientes em não plantar neste período. "Eles sabem que quanto mais tempo o fungo demorar a aparecer, menor é o gasto com fungicidas para controlar a doença, além de não correrem o risco de perder produtividade. Antes, quando não havia o vazio, acontecia casos da produção ser dizimada em algumas regiões." A engenheira comenta ainda que a ideia é retardar o aparecimento do fungo, já que ainda não existem variedades resistentes a essa doença.
A pesquisadora da Embrapa Soja Claudine Seixas explica que a preocupação da Adapar é justificada. A literatura científica relata que o esporo do fungo fica viável por 56 dias no ambiente. Por isso, o vazio tem a duração de 90 dias, para que o esporo não consiga encontrar plantas vivas. "O vazio acaba evitando que o fungo se multiplique e que a doença surja na lavoura precocemente, o que pode prejudicar toda a safra. Neste processo, o surgimento da doença também depende da variação climática, já que o fungo aparece mais facilmente com a umidade", explica Claudine.
De acordo com o acompanhamento do Consórcio Antiferrugem, parceria público-privada no combate a doença, no Paraná foram registrados 112 casos de ferrugem asiática em lavouras na safra passada, de um total de 490 casos no País. Na safra 2011/12, o Estado teve apenas 20 casos e foram registrados 265 em todo o território nacional.
A previsão é de que na safra paranaense de verão de 2013/14 sejam plantados 4,85 milhões de hectares de soja, um crescimento de 3,6% de área em relação à temporada anterior. A perspectiva de produção é de 16,13 milhões de toneladas, podendo superar em 2% a safra recorde de 2012/13, que chegou a 15,82 milhões de toneladas colhidas no Estado.

Imagem ilustrativa da imagem Vazio sanitário da soja termina com poucas ocorrências
mockup