Vazio sanitário da soja tem início dia 15
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segunda-feira, 09 de junho de 2008
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Produtores rurais do Paraná que cultivam a soja safrinha já estão sendo notificados pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) a erradicar qualquer planta viva da cultura até o próximo dia 15. Este procedimento terá que ser adotado porque neste ano entra em vigor o período de vazio sanitário da soja. Em um prazo de 90 dias (até 15 de setembro) não poderá ter qualquer planta remanescente no campo. Na safra anterior a área plantada de soja safrinha foi de 51.784 hectares e está concentrada, principalmente, nas regiões Oeste e Sudoeste. A produção foi de cerca de 100 mil toneladas.
O vazio sanitário já é adotado em nove Estados com regras diferentes e tem sido usado como uma estratégia adicional no manejo da ferrugem asiática da soja. O objetivo, segundo a pesquisadora da Embrapa Soja Claudia Godoy, é reduzir a população do fungo para a safra de verão. Até abril haviam sido registrados 1.038 focos nas lavouras paranaenses, número 56% superior ao ocorrido em toda a safra passada. No entanto, não há registros de perdas significativas em função da doença devido à assistência técnica e ao preparo dos agricultores na identificação.
A umidade é o fator mais limitante para a incidência da doença e o fungo é disseminado pelo vento. Segundo a pesquisadora, o que geralmente ocorre é a ''soja voluntária'', grãos perdidos na safrinha que brotam no campo. A orientação é que a erradicação seja feita através da dissecação (com utilização de herbicidas) ou mecanicamente. ''Com o vazio há um atraso nas primeiras ocorrências de ferrugem durante a safra, a doença passa a ocorrer depois da fase de florescimento, reduzindo o número de aplicações e, consequentemente, o custo de produção'', explica.
Ela acrescenta que não há redução no número de casos registrados, mas um atraso na ocorrência da ferrugem. No Mato Grosso, por exemplo, antes da implantação do vazio sanitário (adotado há dois anos) produtores faziam até sete aplicações de defensivos durante a safra mas, depois da norma, a quantidade caiu para uma ou duas. De acordo com Maria Celeste Marcondes, responsável pela Área de Sanidade de Grandes Culturas do Departamento de Fiscalização da Seab, nas regiões onde a soja safrinha está sendo cultivada muitos produtores têm antecipado o final do ciclo através de aplicações de herbicidas.
''A área plantada no Estado é pequena e, por isso, é possível a colheita até esta data (15 de junho)'', comenta Maria Celeste. Os produtores que não erradicarem as plantas vivas estão sujeitos a penalidades que podem ser: advertência, multa, interdição da propriedade e até vedação ao crédito público de financiamento da safra. Segundo ela, haverá muita fiscalização no campo e os técnicos irão percorrer as propriedades.


