Vazio sanitário da soja começará na quarta-feira
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sexta-feira, 10 de junho de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O vazio sanitário da soja começa na próxima quarta-feira, no Paraná, e durará até 15 de setembro. Durante o período de 90 dias, os agricultores não podem semear ou manter qualquer planta viva da oleoginosa no campo, para diminuir ao máximo a possibilidade de o fungo causador da ferrugem asiática, o Phakopsora pachyrhizi.
Com a medida, diminui a possibilidade de desfolha precoce da soja causada pela doença, o que evita o uso excessivo de fungicidas durante a fase de desenvolvimento da planta e aumenta a produtividade e a rentabilidade dos produtores. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) fará fiscalização em propriedades, margens de rodovias e de ferrovias durante o vazio, quando pode lavrar multas de acordo com o tamanho da área e da reincidência dos infratores.
Nos últimos anos, os autos de infração oscilaram no Estado. Foram 123 no ano passado, 191 em 2014 e 79 em 2013, conforme a Adapar. O gerente de sanidade vegetal da agência, Marcílio Martins Araújo, afirma que o número varia de acordo com o clima. "Quando o inverno é mais rigoroso, como neste ano, a tendência é que as geadas eliminem as plantas remanescentes de soja e isso influencia."
Araújo conta que a fiscalização no ano passado passou por 846 propriedades e 163 rodovias e ferrovias, com autuações para 4,2 mil hectares no Paraná. O gerente da Adapar ressalta que os valores das multas variam, mas podem ultrapassar os R$ 15 mil.
Pesquisadora da Embrapa Soja, Claudine Seixas lembra que o agricultor que não respeitar corre maior risco. "O fungo sobrevive nessa soja que fica no campo e, logo que a próxima nascer, já vai estar com ferrugem, funcionando como uma ponte verde para a doença."
A ferrugem asiática não pode ser erradicada e depende do uso de fungicidas durante o desenvolvimento da planta, devido ao grande número de variedades de soja ainda suscetíveis à doença no Estado. Claudine cita que é possível ao produtor substituir a oleoginosa por uma cultura de inverno ou de cobertura para não deixar a área sem cultivo, segundo orientação do assistente técnico da propriedade.
Para o engenheiro agrônomo Fernando Aggio, do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), passou a ser raro o produtor que desrespeita o vazio na região. "Nas regiões altas, como o segundo e terceiro planaltos, é comum o plantio de aveia preta e aveia branca, de trigo, de canola e de cevada, com controle adequado de ervas daninhas."
Aggio considera que o vazio sanitário reflete positivamente na safra de verão, quando a soja ocupa milhões de hectares por todo o Paraná. Com o controle, os produtores reduzem o número de aplicações de fungicida nas lavouras. "Isso impacta diretamente no custo de produção, ainda mais em uma época de margens apertadas", reforça.
Semeadura
Após o vazio sanitário em 15 de setembro, o plantio da soja está autorizado até 31 de dezembro, conforme o zoneamento agrícola estadual. Neste período, o produtor precisa monitorar a cultura.
O gerente da Adapar afirma que a agência, além da fiscalização, trabalhará na calendarização do plantio e na restrição de fungicidas pouco eficientes. No último dia 7, a entidade anunciou que produtos que apresentem eficácia menor do que 80% no combate à ferrugem não passarão no cadastro do Sistema de Monitoramento de Comércio e Uso de Agrotóxicos no Estado do Paraná, segundo recomendação da Embrapa. A restrição atinge 66 rótulos e restamo 26 no mercado.



