Começa na próxima sexta-feira, 15, o vazio sanitário para a cultura da soja em todo o País. Até o dia 15 de setembro fica terminantemente proibido o plantio ou a manutenção da cultura. A iniciativa tem por objetivo quebrar o ciclo do fungo que causa a ferrugem da soja. ''O vazio surgiu em 2005 quando houve uma infestação muito elevada no Brasil'', explica Amélio Dall'Agnol, pesquisador da Embrapa Soja. Segundo o especialista, o fungo da ferrugem não consegue sobreviver por mais de 60 dias sem o hospedeiro, no caso, a planta de soja. ''Por isso é importante não cultivar nesse período, já que sem a oleaginosa o fungo morre de fome'', sintetiza.
O pesquisador destaca que os produtores que não obedecerem a regra poderão receber uma multa que pode variar de R$ 50 a R$ 5 mil conforme o caso. Além disso, acrescenta o pesquisador, o sojicultor pode perder os direitos do seguro rural e até mesmo comprometer a comercialização de seu produto, já que muitos entrepostos não aceitam a mercadoria nesse período. Dall'Agnol salienta que adotar o vazio sanitário é uma atitude inteligente que o produtor deve adotar.
O pesquisador completa que antes da adoção do vazio sanitário, o índice de perda com a ferrugem asiática chegava, em algumas localidades, a até 70%. Ele observa que caso o produtor ache uma ou outra planta de soja em sua lavoura, a cultivar deve ser imediatamente eliminada por meio de controle químico. Para as variedades transgênicas, Dall'Agnol lembra que o uso do glifosato não surtirá efeito, já que a soja RR é resistente ao produto. Por esse motivo, o pesquisador recomenda que o produtor busque outros compostos que estão disponíveis no mercado.
Segundo pesquisas realizadas pela Embrapa Soja, em 2005, quando ainda não havia o vazio sanitário, o produtor fazia entre seis e sete aplicações de fungicidas por safra. Hoje, completa o pesquisador da instituição, o número caiu para duas ou, no máximo, três aplicações. Dall'Agnol comemora que neste ano não houve muita incidência da ferrugem. O motivo, alega ele, foi porque o clima quente e seco não foi favorável para a proliferação do fungo, que necessita de umidade para se desenvolver.
Substituição
Para a substituição da soja, Dall'Agnol recomenda o plantio de milheto ou aveia preta. Essas culturas, segundo ele, ajudam a reter melhor os nutrientes no solo. Entretanto, por motivos econômicos, muitos produtores optaram por substituir a soja pelo milho, o que não é uma escolha errada, salienta o pesquisador da Embrapa Soja.
Neste ano, de acordo com Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná plantou 2,02 milhões de hectares de milho, número 19% superior se comparado com a segunda do ciclo passado. Em volume de produção, os produtores paranaenses esperam colher neste ciclo 10,23 milhões de toneladas do grão, 61% a mais do que no ciclo 2010/11. Nesta safra, conforme dados do Deral, a produção de soja totalizou pouco mais de 10 milhões de toneladas, quebra de mais de 30%, provocada pela estiagem.

Imagem ilustrativa da imagem Vazio sanitário começa na próxima sexta-feira
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