Vazio de poder na Rússia é raiz do problema cambial
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quinta-feira, 27 de agosto de 1998
Agência Estado/Reuters 
A Rússia deve primeiro preencher o vazio de poder que vive neste momento de crise monetária antes de tentar estabilizar o cambaleante rublo, afirmaram ontem analistas. Há um completo vazio de poder neste momento... que está na raiz desta crise e que progressivamente vai provocar uma piora na situação em questão de dias, afirmou Philip Poole, chefe de pesquisa sobre países emergentes europeus do ING Barings, em Londres.
O primeiro-ministro interino Vicktor Chernomyrdin tem criticado duramente o banco central russo por sua política monetária e um líder parlamentar alertou que poderá ser necessário um controle cambial. O banco central suspendeu as transações do rublo com qualquer outra moeda ontem, um dia depois da troca da divisa nacional por dólares ter sido suspensa.
O banco central diz que não venderá dólares, ao mesmo tempo ele mantém a banda de negociação, e ainda ao mesmo tempo o rublo também é desvalorizado efetivamente contra o marco (alemão), então (a autoridade monetária) quebra esta banda, disse um economista de um banco de investimento de Moscou. Nós chamamos isso de delírio, afirmou o economista.
A Rússia anunciou no dia 17 que o rublo poderia variar, até o final do ano, dentro de uma banda fixada em 6,00/9,05 por dólar, maior, portanto, que a anterior, que era de 5,27/7,13.
Mas o banco central anunciou anteontem (26) que não seria racional manter grandes intervenções já que ele é praticamente o único vendedor de moedas estrangeiras no mercado doméstico.
Segundo Poole, a cotação real da moeda russa ontem poderia estar em 20 rublos por dólar, perto da banda 13/20 rublos por dólar sugerida para ontem e hoje no pouco de mercado interbancário realizado.
O banco central, que afirma ter vendido bilhões de dólares nos últimos meses para defender a moeda, anunciou ontem que suas reservas em divisas estrangeiras e ouro caíram para US$ 13,4 bilhões no dia 21, de US$ 15,1 bilhões no dia 14. É uma boa aposta que eles só tenham US$ 6 bilhões em dinheiro porque uma grande parte das reservas está na forma de ouro, afirma Lawrence Austen, do banco de investimento MFK Renaissance.
O caos econômico na Rússia é apenas um sintoma de uma crise política profunda, que se intensificou rapidamente no domingo quando o presidente Boris Yeltsin demitiu o governo (que estava no poder há apenas 4 meses) e readmitiu Chernomyrdin, que já havia ocupado o cargo por cinco anos. A comunidade internacional saudou publicamente o retorno do veterano primeiro-ministro, que tem uma sólida reputação de reformista.
Mas seu tradicional estilo devagar e sempre, assim como a expectativa de que ele será obrigado a fazer concessões políticas à oposição, vem preocupando até mesmo aqueles que o defendem.
A situação na Rússia é extremamente desoladora, e eu não estou certo de que o governo tomará todas as medidas necessárias, afirmou John Lomax, analista de mercados emergentes no banco de investimentos HSBC, de Londres. Lomax reforçou os apelos de todo o mundo para que a Rússia realize o mais rápido possível as reformas de austeridade e ataque os problemas estruturais de sua economia.


