São Paulo - A Vasp pretende demitir pilotos e comissários de bordo como parte do plano de reestruturação da empresa. Na segunda-feira, representantes do Sindicato Nacional dos Aeronautas se reunirão com a direção da empresa para discutir o assunto. Ontem, a empresa já dispensou funcionários administrativos e dos setores de transporte e manutenção em São Paulo.
O motivo para as demissões de pilotos e comissários, segundo a Vasp, é a desativação de seis aviões da frota por problemas de manutenção e a reestruturação da malha de vôos, prevista para a próxima semana. A Vasp opera atualmente com metade da frota de 31 aviões. A empresa emprega aproximadamente mil pilotos e comissários de bordo. Segundo a presidente do sindicato dos aeronautas, Graziella Baggio, a empresa havia se comprometido a não demitir nenhum piloto ou comissário nos próximos 90 dias.
O número de demitidos ontem não foi divulgado. De acordo com funcionários, departamentos inteiros foram extintos. Com um patrimônio de R$ 500 milhões, a Vasp tem uma dívida de R$ 2,7 bilhões. A empresa tem dificuldades para obter crédito e precisa pagar à vista o combustível dos aviões e as taxas aeroportuárias.
Com todos esses problemas, a Vasp ainda consegue atrair passageiros. O motivo é sua política de preços. As passagens são as mais baratas do mercado, superando as da Gol em algumas rotas. A empresa também paga a melhor comissão para agentes de viagens. Segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), a cada passagem emitida, a Vasp paga 13% de comissão. Uma das concorrentes paga apenas 6%.
''É uma política desesperada, que funciona a curto prazo, mas não consegue se manter por muito tempo'', diz Carlos Albano, analista de mercado de aviação do Unibanco. Em agosto, o volume de passageiros transportado pela Vasp caiu 4% em relação ao mesmo mês do ano passado.

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