Rio A Vasp suspendeu as demissões que iria começar a fazer ontem, cujo total poderia chegar a 360, porque estaria negociando com um suposto investidor interessado em comprar a empresa, segundo funcionários e fontes ligadas à empresa. O rumor ganhou força no último domingo, quando o jato do presidente e dono da companhia, Wagner Canhedo, pousou às 22 horas no Recife, segundo pessoas que viram a aeronave onde mora o interlocutor do grupo interessado, que se chamaria Hightech e seria formado por árabes e americanos. Ontem à tarde, a Vasp informou não ter conhecimento desssa informação.
O valor do investimento e a proporção acionária que tal grupo estaria interessado não foram revelados por estas fontes, mas a legislação da aviação civil só permite que estrangeiros possam ter até 20% de empresa aérea brasileira. ''Está todo mundo com a pulga atrás da orelha com essa negociação'', disse uma pessoa que acompanha as conversações.
Segundo estas fontes, todos que ouviram sobre esse negócio estranharam o mistério que cerca tal grupo. A dúvida existe porque a situação financeira e operacional da empresa aérea é difícil e levou a empresa ter suas operações canceladas, semana passada, pelo Departamento de Aviação Civil (DAC).
O vice-presidente da Vasp e filho de Canhedo, Rodolfo, estaria ainda no Recife para prosseguir com as negociações. Já o pai retornou ontem por volta das 14h30 para Brasília. Segundo pessoas próximas, o presidente da empresa teria pensado em convocar uma entrevista coletiva para anunciar a negociação. No entanto, ele teria voltado atrás e decidido comunicar antes o governo, o que poderá ser feito hoje.
Demissões A intenção da Vasp era cortar em torno de 360 aeronautas, após ter perdido todas as autorizações para realizar vôos regulares de passageiros. Só restariam 15 comandantes, sendo que ao todo são 90, 15 co-pilotos (também são 90), 10 engenheiros de vôo, de 18, e 20 comissários, de um contigente de 220. Essas pessoas seriam aproveitadas para manter a operação da Vaspex, empresa de transporte de cargas, que atualmente realiza dois vôos diários que não foram cassados pelo DAC. Parte da equipe que deverá ser mantida também poderia ser aproveitada para eventuais vôos fretados, com uma aeronave Boeing 737-300.
A Vasp foi punida na semana passada pelo DAC porque vinha cancelado vôos com taxa de opcupação dos aviões abaixo de 50%. Para o deparamento, essa medida não é condizente com uma concessionária de serviços públicos. A Vasp pode, ainda, se tornar uma companhia de vôos fretados ou pedir novas autorizações de vôos. A empresa não perdeu sua concessão de transporte aéreo, que vence em abril.

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